Artes (com) trastes e traquinagens


31/03/2006


 

 

Imagem : Luta Sangrenta pela Paz / 1975 - Clarice Lispector

 

 

Precisão

 

O que me tranquiliza
é que tudo o que existe,
existe com uma precisão absoluta.
O que for do tamanho de uma cabeça de alfinete
não transborda nem uma fração de milímetro
além do tamanho de uma cabeça de alfinete.
Tudo o que existe é de uma grande exatidão.
Pena é que a maior parte do que existe
com essa exatidão
nos é tecnicamente invisível.
O bom é que a verdade chega a nós
como um sentido secreto das coisas.
Nós terminamos adivinhando, confusos,
a perfeição."

 

Clarice Lispector

 

 

"O que pintei nessa tela é passível de ser  fraseado em palavras? Tanto quanto possa ser implícita a palavra muda no som musical" Clarice Lispector


 

 

Escrito por Sayô & Shara às 08h34
[ ] [ envie esta mensagem ]

30/03/2006


 

 

 

Medo / 1975 - Clarice Lispector

 

"Fico com medo...
Fico com medo. Mas o coração bate.
O amor inexplicável faz o coração
bater mais depressa. A garantia única é que eu nasci.
Tu és uma forma de ser eu, e eu uma forma de te ser :
Eis os limites de minha possibilidade "

Clarice Lispector

 

 

Acho que o processo criador de um pintor e do escritor são da mesma fonte. O texto deve se exprimir através de imagens e as imagens são feitas de luz, cores, figuras, perspectivas, volumes, sensações. Clarice Lispector

 

 

Escrito por Sayô & Shara às 08h30
[ ] [ envie esta mensagem ]

29/03/2006


 

 

 

Tentativa de ser alegre / 1975 - Clarice Lispector

 

 

 

 

"O que saberás de mim é a sombra da flecha que se fincou no alvo"

Clarice Lispetor

 


 

 

 

O que me descontrai, por incrível que pareça, é pintar. Sem ser pintora de forma alguma, e sem aprender nenhuma técnica. Pinto tão mal que dá gosto e não mostro meus, entre aspas, quadros, a ninguém. É relaxante e ao mesmo tempo excitante mexer com cores e formas sem compromisso com coisa alguma. É a coisa mais pura que faço (...) Acho que o processo criador de um pintor e do escritor são da mesma fonte. O texto deve se exprimir através de imagens e as imagens são feitas de luz, cores, figuras, perspectivas, volumes, sensações." - Clarice Lispector


 

Escrito por Sayô & Shara às 08h03
[ ] [ envie esta mensagem ]

28/03/2006


 

 

 

 

Quando Shara teve a idéia de postarmos Manoel de Barros,pensamos em manter contato com ele, mas não conseguimos. Daí que,postando Alice Ruiz,e visitando seu site oficial http://www.aliceruiz.mpbnet.com.br/  , consegui através do link "Contato" enviar um email à ela,comunicando que estaríamos postando uma semana com ALICE RUIZ. Nossa gente, vocês não tem noção da minha felicidade,rs. Ela respondeu o email e com ele encerro A SEMANA COM ALICE RUIZ.

Pronto, Sayô já fui lá, que bom gosto, ufa. Me senti muito bem acompanhada pelo Manoel de Barros de quem sou fã. Mas tenho umas correções. "Então é você" a letra é só minha, a música é que é da Estrela. A mesma coisa vale para o "Coisa Tua", a letra é minha e a música do Waltel. Já "Se tudo pode acontecer" é uma letra conjunta, além de mim, tem Arnaldo Antunes e João Bandeira. Beijos e grata. Alice. Ah! Minhas duas filhas também são de Peixes. a sua é linda.

 

 

 

Alice Ruiz

Escrito por Sayô & Shara às 08h47
[ ] [ envie esta mensagem ]

27/03/2006


 

 

 

 

 

 

 


" Leve, a semente vai
onde o vento leva.
A gente pesa,
por mais que invente,
só vai onde pisa "

 

 

Alice Ruiz

Escrito por Sayô & Shara às 15h35
[ ] [ envie esta mensagem ]

 

 

 

''Vara o dia
varrendo a noite
cata um sonho
sonha um vento
algo que fique
por pouco
por muito pouco
um cisco que seja
algo que signifique "

 

Alice Ruiz

Escrito por Sayô & Shara às 09h18
[ ] [ envie esta mensagem ]

25/03/2006


 

 

 

 

POESIA DE ALICE RUIZ E DESENHOS DE LEILA PUGNALONI

Escrito por Sayô & Shara às 18h29
[ ] [ envie esta mensagem ]

 

 

 

 

 

 

 

É de estarrecer


É de estarrecer
estar e ser em inglês
é a mesma coisa
assim como você
pode ser e não estar
você pode estar e não ser
estar e ser
parece a mesma coisa
mas não é
de estarrecer
to be or not to be
here and now
eis a grande questão
ser passado, ser futuro, ser presente
ser humano, estar sendo,
ser amado, ser seguro, ser ausente
ser cigano, estar vivendo
to be happy, to be free
estar em você, ser em mim
to be or not to be
para Shakespeare and me
é de estarrecer
estar e ser em inglês é a mesma coisa
estar e ser
parece a mesma coisa
mas não é
de estarrecer?


 

Alice Ruiz


 

Escrito por Sayô & Shara às 10h04
[ ] [ envie esta mensagem ]

24/03/2006


 

 

 

 

 

 

 

"Amor que se dedica,
amor que não se explica
até quando se vai.
Parece que ainda fica.
Olhando vc sair
sabendo que vai cair.
Deixar que saia,
deixar que caia.

Por mais que vá sofrer
é o jeito de aprender,
e o teu caminho
só vc vai percorrer.

Se vc vence eu venço,
se vc perde eu perco
e nada posso fazer
só deixar vc viver
só olhar vc aprender
só olhar vc crescer
só olhar vc amar...."

 

Alice Ruiz

 

 


 

Escrito por Sayô & Shara às 08h38
[ ] [ envie esta mensagem ]

22/03/2006


 

 

 

 

 

Então é você

Então é você
que bem antes de mim
diz o que eu queria dizer
tão bem quanto eu diria.
E quem diria?
ainda melhor.

 

Acho que teu nome é poesia
e por isso todos te chamam

 

Então é você
tua simples presença
preenche a minha existência
me faz ver o que eu não via.
E quem diria?
ainda melhor

 

Acho que teu nome é vida
e por isso todos te querem

 

Então é você
que quando fala
instala a compreensão
de tudo que eu seria.
E quem diria?
Ainda melhor

 

Acho que teu nome é amor
e por isso todos te amam

 

E quando todos te chamam
quem sou eu pra não chamar?

E quando todos te querem
quem sou eu pra não querer?

E porque todos te amam
“eu sei que vou te amar”
 

 

(Estrela Ruiz Leminski e Alice Ruiz)

Escrito por Sayô & Shara às 15h52
[ ] [ envie esta mensagem ]

 

 

 

 

 

"ainda me viro
e me vejo
pronta a te chamar
a te contar
que aprendi hoje
coisas que você soube

ainda te vejo
em cada bicho
em cada pensamento
me surpreendo olhando
com teus olhos de pesquisa
e o que vejo
vira beleza"

 

Alice Ruiz

Escrito por Sayô & Shara às 09h02
[ ] [ envie esta mensagem ]

21/03/2006


 

 

 

 

 

 

 

 

 

Coisa tua

 

assim que vi você
logo vi que ia dar coisa
coisa feita pra durar,
batendo duro no peito
até eu acabar virando
alguma coisa
parecida com você
parecia ter saído
de alguma lembrança antiga
que eu nunca tinha vivido,
mas ia viver um dia
alguma coisa perdida
que eu nunca tinha tido
alguma voz amiga
esquecida no meu ouvido
agora não tem mais jeito,
carrego você no peito
poema na camiseta
com a tua assinatura
já nem sei se é você mesmo
ou se sou eu que virei alguma coisa tua

 

(Waltel Branco e Alice Ruiz)

Escrito por Sayô & Shara às 08h55
[ ] [ envie esta mensagem ]

20/03/2006


 

 

 

Imagem de Olga Fonseca 

 

 

SE TUDO PODE ACONTECER

 

se tudo pode acontecer
se pode acontecer qualquer coisa
um deserto florescer
uma nuvem cheia não chover

pode alguém aparecer
e acontecer de ser você
um cometa vir ao chão
um relâmpago na escuridão

e a gente caminhando de mão dada
de qualquer maneira
eu quero que esse momento dure a vida inteira
e além da vida ainda de manhã no outro dia
se for eu e você
se assim acontecer

se tudo pode acontecer…

 

Alice Ruiz

Escrito por Sayô & Shara às 16h21
[ ] [ envie esta mensagem ]

19/03/2006


 

 

Imagem: Coisas que caem sobre a minha mão(Mônica Santana)

 

RUÍNA

 

Um monge descabelado me disse no caminho: "Eu queria construir uma ruína. Embora eu saiba que ruína é uma descontrução. Minha idéia era fazer alguma coisa ao jeito de tapera. Alguma coisa que servisse para abrigar o abandono, como as taperas abrigam. Porque o abandono pode não ser apenas de um homem debaixo da ponte, mas pode ser também de um gato no beco ou de uma criança presa num cubículo. O abandono pode ser também de uma expressão que tenha entrado para o arcaico ou mesmo de uma palavra. Uma palavra que esteja sem ninguém dentro. (O olho do monge estava perto de ser um canto.) Continuou: Digamos a palavra AMOR. A palavra amor está quase vazia. Não tem gente dentro dela. Queria construir uma ruína para a palavra amor. Talvez ela renascesse das ruínas, como o lírio pode nascer de um montouro." E o monge se calou descabelado.

 

Manoel de Barros

 

 


AUTO-RETRATO FALADO. Venho de um Cuiabá garimpo e de ruelas entortadas. Meu pai teve uma venda de bananas no BECO DA MARINHA, onde nasci. Me criei no Pantanal de Corumbá, entre bichos do chão, pessoas humildes, aves, árvores e rios. Aprecio viver em lugares decadentes por gosto de estar sempre entre pedras e lagartos. Fazer o desprezível ser prezado é coisa que me apraz. Já publiquei 10 livros de poesia; e ao publicá-los me sinto como desonrado e fujo para o Pantanal onde sou abençoado a garças. Me procurei a vida inteira e não me achei - pelo que fui salvo. Descobri que todos os caminhos levam à ignorância. (Coleção Poesia Falada - Manoel de Barros)

 

 

Escrito por Sayô & Shara às 07h10
[ ] [ envie esta mensagem ]

18/03/2006


 

 

 

 

 Imagem - A vida na flor: Jogos de Crianças (Mônica Santana)

 

 

Retrato Quase Apagado em que se Pode Ver Perfeitamente Nada
de "O Guardador de Águas"

 

 

Não tenho bens de acontecimentos.
O que não sei fazer desconto nas palavras.
Entesouro frases. Por exemplo:
- Imagens são palavras que nos faltaram.
- Poesia é a ocupação da palavra pela Imagem.
- Poesia é a ocupação da Imagem pelo Ser.
Ai frases de pensar!
Pensar é uma pedreira. Estou sendo.
Me acho em petição de lata (frase encontrada no lixo)
Concluindo: há pessoas que se compõem de atos, ruídos, retratos.
Outras de palavras.
Poetas e tontos se compõem com palavras.



Todos os caminhos - nenhum caminho
Muitos caminhos - nenhum caminho
Nenhum caminho - a maldição dos poetas.


(...)

 

Escrever nem uma coisa Nem outra -
A fim de dizer todas
Ou, pelo menos, nenhumas.
Assim,
Ao poeta faz bem
Desexplicar -
Tanto quanto escurecer acende os vaga-lumes.


 

(...)

 

O sentido normal das palavras não faz bem ao poema.
Há que se dar um gosto incasto aos termos.
Haver com eles um relacionamento voluptuoso.
Talvez corrompê-los até a quimera.
Escurecer as relações entre os termos em vez de aclará-los.
Não existir mais rei nem regências.
Uma certa luxúria com a liberdade convém.

 

(...)

 

Manoel de Barros

 

 

 


Na entrevista, Manoel de Barros diz que "não é confortável para a poesia ser comportada. É muito melhor que seja incorfomada. Os absurdos, os despropósitos são bens da poesia. O bom senso é sempre uma censura à poesia. O bom senso pertence às ciências, às gramáticas, às matemáticas. Poesia é uma expressão fontana: como o amor, a água, o sol. Fazer que o poema defenda teses é uma aberração". Um pouco antes o poeta já havia dito: "gosto de furar gramáticas, de entortar sintaxes". Um pouco depois: "A criança está disponível para a poesia. Ao ponto de poema. A criança ainda não sabe o comportamento das coisas. E pode inventar. Pode botar aflição nas pedras e assim por diante. As crianças não sabem que pedra não tem aflição ou se os peixes dão flor". Tudo isso é ser Manoel de Barros. Marcelo Costa
Editor S&Y 

Escrito por Sayô & Shara às 09h36
[ ] [ envie esta mensagem ]

17/03/2006


 

 

 

LUNA
LUA CHEIA
BRILHANTE.
ENCHE NOSSOS OLHOS
ENCANTADOS
JUNTAMOS AS MÃOS EM DANÇA
AO SABOR
DOS VENTOS
DA NOITE. 

LUNA
LUA CRESCENTE
UMA REDE
EMBALA SONHOS
COM CANÇÕES
DE NINAR.
SABEDORIA DOS
TEMPOS E DE
SUAS HISTÓRIAS EM FESTA.

 

LUNA
LUA NOVA
PROMESSA MÁGICA
PEDRA ÔNIX
NEGRA,
MESTIÇA COM A NOITE.
NASCENDO
EM FLOR.

 

LUNA
LUA MINGUANTE
INEBRIA A VIDA
AS ESTRELAS APARECEM,
TRANSBORDAM EM PROFUSÃO.
ESPECIALMENTE VOCÊ,
SEUS SORRISOS TERNOS,
MÃOS CARINHOSAS
E TALENTOSAS.
 

 

LUNA
MINHA DOCE LUA
EXPRESSA EM TANTAS E MÚLTIPLAS FACES
QUE NÃO CANSO DE AMAR E ADMIRAR
(Poesia feita em 17/03/2002 por Shara Jane)

 

15 ANOS

PARABÉNS Luna, minha pisciana amada!

Muita luz na tua vida filha

Beijos

Tua mamis

SaYô

Escrito por Sayô & Shara às 08h21
[ ] [ envie esta mensagem ]

16/03/2006


 

 

 

 

 

 

 

Imagem: Banana ouro e caranguejo Uça (Cristiano Sidoti)

 

Matéria da Poesia


 

1.Todas as coisas cujos valores podem ser
disputados no cuspe à distância
servem para poesia

O homem que possui um pente
e uma árvore
serve para poesia
(...)

O que é bom para o lixo é bom para a poesia

Importante sobremaneira é a palavra repositório;
a palavra repositório eu conheço bem:
tem muitas repercussões
como um algibe entupido de silêncio
sabe a destroços

As coisas jogadas fora
têm grande importância
— como um homem jogado fora

Aliás é também objeto de poesia
saber qual o período médio
que um homem jogado fora
pode permanecer na terra sem nascerem
em sua boca as raízes da escória

As coisas sem importância são bens de poesia

Pois é assim que um chevrolé gosmento chega
ao poema, e as andorinhas de junho.


2.Muito coisa se poderia fazer em favor da poesia:

a — Esfregar pedras na paisagem.
b — Perder a inteligência das coisas para vê-las.
(Colhida em Rimbaud)
c — Esconder-se por trás das palavras para mostrar-se.
d — Mesmo sem fome, comer as botas. O resto em
Carlitos.
e — Perguntar distraído: — O que há de você na
água?
f — Não usar colarinho duro. A fala de furnas brenhentas
de Mário-pega-sapo era nua. Por isso as
crianças e as putas do jardim o entendiam.
g — Nos versos mais transparentes enfiar pregos sujos,
terens de rua e de música, cisco de olho, moscas
de pensão...
h — Aprender a capinar com enxada cega.
i — Nos dias de lazer, compor um muro podre para
caramujos
j — Deixar os substantivos passarem anos no esterco,
deitados de barriga, até que eles possam carrear
para o poema um gosto de chão - como cabelos
desfeitos no chão — ou como o bule de Braque
— áspero de ferrugem, mistura de azuis e ouro
— um amarelo grosso de ouro da terra, carvão de
folhas.
l — Jogar pedrinhas nim moscas...
(...)

 

Manoel de Barros

 

 
 

"Embora a poética de Manoel de Barros se destaque da realidade empírica e suscite uma outra com sua essência própria, é essa realidade que lhe fornece os seus conteúdos. A eleição da pobreza, dos objetos que não têm valor de troca, dos homens desligados da produção (loucos, andarilhos, vagabundos, idiotas de estrada), formam um conjunto residual que é a sobra da sociedade capitalista; o que ela põe de lado, o poeta incorpora, trocando os sinais. Há nesse procedimento o protesto contra uma situação experimentada como hostil, que se imprime negativamente numa forma lírica que a exclui, ou que apenas inclui aquilo que é seu excedente."
Waldman, Berta [1990]. A poesia ao rés do chão. In: Barros, Manoel de. Gramática expositiva do chão: poesia quase toda. p.26.


 

Escrito por Sayô & Shara às 08h16
[ ] [ envie esta mensagem ]

15/03/2006


 

 

 

 

Imagem: Contadora de estória (Mônica Santana)

 

FRASEADOR

 

Hoje eu completei 85 anos. O poeta nasceu de treze. Naquela ocasião escrevi uma carta aos meus pais, que moravam na fazenda, contando que eu já decidira o que queria ser no meu futuro. Que eu  não queria ser doutor. Nem doutor de curar nem doutor de fazer casa nem doutor de medir terras. Que eu queria era ser fraseador. Meu pai ficou meio vago depois de ler a carta. Minha mãe inclinou a cabeça. Eu queria ser fraseador e não doutor. Então o meu irmão mais velho perguntou: Mas esse tal de fraseador bota mantimento em casa? Eu não queria ser doutor, eu queria ser fraseador. Meu irmão insistiu: Mas se fraseador não bota mantimento em casa, nós temos que botar uma enxada na mão desse menino pra ele deixar de variar. A mãe baixou a cabeça um pouco mais. O pai continuou meio vago. Mas não botou a enxada.

 

 Manoel de Barros


 


Nascido em Cuiabá, Manoel Wenceslau Leite de Barros, ou Nequinho, para os familiares, é advogado, fazendeiro e poeta. Das três profissões, a de poeta é a que possui a história mais engraçada. De tantas travessuras no colégio interno, o menino Manoel foi obrigado a decorar 50 linhas da Sexagésima de Vieira. Gostou tanto do “equilíbrio sonoro das frases” que passou a traquinar exaustivamente, somente para ler e decorar mais versos. Daí, para tomar gosto pela poesia e se tornar um “fraseador”, foi um pulo. Contudo, há quem tome a poesia de Manoel de Barros como manifestação exclusiva de regionalismo literário, já que seus textos remetem à realidade ecológica do Mato Grosso do Sul. Ledo engano. Manoel de Barros é, na verdade, tecelão da natureza e, muito além, artífice do reencontro com a matéria da qual são feitos todos os seres humanos – encantamento, pois, “quando as aves falam com as pedras e as rãs com as águas – é de poesia que estão falando”. Sua poesia transcende os interesses regionais para abordar , aludindo Shakespeare, “sonhos que o homem sonha sempre, dormindo ou acordado"

 

Escrito por Sayô & Shara às 08h55
[ ] [ envie esta mensagem ]

14/03/2006


 

 

Imagem : Parada para a merenda (Helena Coelho)

 

A ciência pode classificar e nomear os órgãos de um sabiá
mas não pode medir seus encantos.
A ciência não pode calcular quantos cavalos de força
existem
nos encantos de um sabiá.
Quem acumula muita informação perde o condão de
adivinhar: divinare.
Os sabiás divinam.

 

Manoel de Barros

 

 

 

 

Numa entrevista concedida a José Castello, do jornal "O Estado de São Paulo", em agosto de 1996, Manoel de Barros ao ser perguntado sobre qual sua rotina de poeta, respondeu:

"Exploro os mistérios irracionais dentro de uma toca que chamo 'lugar de ser inútil'. Exploro há 60 anos esses mistérios. Descubro memórias fósseis. Osso de urubu, etc. Faço escavações. Entro às 7 horas, saio ao meio-dia. Anoto coisas em pequenos cadernos de rascunho. Arrumo versos, frases, desenho bonecos. Leio a Bíblia, dicionários, às vezes percorro séculos para descobrir o primeiro esgar de uma palavra. E gosto de ouvir e ler "Vozes da Origem". Gosto de coisas que começam assim: "Antigamente, o tatu era gente e namorou a mulher de outro homem". Está no livro "Vozes da Origem", da antropóloga Betty Midlin. Essas leituras me ajudam a explorar os mistérios irracionais. Não uso computador para escrever. Sou metido. Sempre acho que na ponta de meu lápis tem um nascimento."

 

 

Escrito por Sayô & Shara às 07h56
[ ] [ envie esta mensagem ]

13/03/2006


 

 

 

 

Imagem: Cozinha da Dona Nilde (Mônica Santana)

 

A BORRA

 

Prefiro as palavras obscuras que moram nos

fundos de uma cozinha - tipo borra, latas, cisco.

Do que as palavras que moram nos sodalícios -

tipo excelência, conspícuo, majestade.

Também os meus alter egos são todos borra,

ciscos, pobres-diabos

que poderiam morar nos fundos de uma

                                               cozinha

 - tipo Bola Sete, Mário Pega Sapo, Maria Pelego

Preto etc.

Todos bêbedos ou bocós.

E todos condizentes com andrajos.

Um dia alguém me sugeriu que adotasse um

alter ego respeitável - tipo um príncipe, um

almirante, um senador.

Eu perguntei:

Mas quem ficará com os meus abismos se os

pobres-diabos não ficarem?

 

Manoel de Barros

 


 

 

A primeira vez que eu ouvi alguém declamando Manoel de Barros,eu estava chorando muito.E chorei mais ainda,por ser Cecília Coimbra que recitava: A BORRA.
Depois disso, fazendo minha feira num supermercado que vende livros, mirei MANOEL em Memórias Inventadas : A Infância.
Fiquei: compro ou não compro? Botei no carrinho e levei pra casa. Lá chegando, tirei o lacre, alisei a caixa, olhei a iluminura, desatei a fita e para minha surpresa o livro poderia ser lido de qualquer jeito, pelo ínicio, pelo meio ou pelo fim. Ele tem folhas soltas, escorregam pelos dedos, desorganizando tudo o que você entende por livro, poesia, e linguagem. LINDO!!!!!
Mostrei pra Amanda,pra Mariana,gritava a Lumena...não parei mais de alisar Manoel de Barros depois disso.   

Shara  Jane

Escrito por Sayô & Shara às 08h53
[ ] [ envie esta mensagem ]

12/03/2006


 

 

 

 

 Imagem: Crianças na Ciranda (Gilvan)

 

 ''Acho que o quintal onde a gente brincou é maior do que a cidade. A gente só descobre isso depois de grande. A gente descobre que o tamanho das coisas há que ser medido pela intimidade que temos com as coisas. Há de ser como acontece com o amor. Assim, as pedrinhas do nosso quintal são sempre maiores do que as outras pedras do mundo. Justo pelo motivo da intimidade. Mas o que eu  queria dizer sobre o nosso quintal é outra coisa. Aquilo que a negra Pombada, remanescente de escravos do Recife, nos contava. Pombada contava aos meninos de Corumbá sobre achadouros. Que eram buracos que os holandeses, na fuga apressada do Brasil, faziam nos seus quintais para esconder suas moedas de ouro, dentro de baús de couro. Os baús ficavam cheios de moeda dentro daqueles buracos. Mas eu estava a pensar em achadouros de infâncias. Se a gente cavar um buraco ao pé da goiabeira do quintal, lá estará um guri ensaiando subir na goiabeira. Se a gente cavar um buraco ao pé do galinheiro, lá estará um guri tentando agarrar no rabo de uma lagartixa. Sou hoje um caçador de achadouros da infância. Vou meio dementado e enxada às costas cavar no meu quintal vestígios dos meninos que fomos. Hoje encontrei um baú cheio de punhetas.''

 

Manoel de Barros


 

 

ALGO MAIS SOBRE MANOEL DE BARROS :

Num vídeo que fizeram sobre mim, o rapaz chega uma hora que pergunta: "Escuta aqui, o senhor escreveu que formiga não tem dor nas costas. Mas como é que o senhor sabe?". Outro rapaz me escreveu do Rio, diz que freqüenta as aulas de um professor muito inteligente em energia nuclear, física, poesia e romance, e ele fez a pergunta, que é um verso meu: "Professor, por que a 15 metros do arco-íris o sol é cheiroso?". O professor, que tinha estudado Einstein e outros autores, disse: "Essa pergunta não vou responder, é absurda". Ou seja, encabulou. Creio que a poesia está de mãos dadas com o ilógico. Não gosto de dar confiança para a razão, ela diminui a poesia.   


 

Escrito por Sayô & Shara às 10h40
[ ] [ envie esta mensagem ]

11/03/2006


 

 

 

Imagem: Ciranda e Margaridas (Mônica Santana)

Manoel por Manoel

 

Eu tenho um ermo enorme dentro do olho. Por motivo do ermo não fui um menino peralta. Agora tenho saudade do que não fui. Acho que o que faço agora é o que não pude fazer na infância. Faço outro tipo de peraltagem. Quando era criança eu deveria pular muro do vizinho para catar goiaba. Mas, não havia vizinho. Em vez de peraltagem eu fazia solidão. Brincava de fingir que pedra era lagarto. Que lata era navio. Que sabugo era um serzinho mal resolvido e igual a um filhote de gafanhoto.
Cresci brincando no chão, entre formigas. De uma infância livre e sem comparamentos. Eu tinha mais comunhão com as coisas do que comparação. Porque se a gente fala a partir de ser criança, a gente faz comunhão : de um orvalho e sua aranha, de uma tarde e suas garças de um pássaro e sua árvore. Então eu trago nas minhas raízes crianceiras a visão comungant
e e oblíqua das coisas. Eu sei dizer sem pudor que o escuro me ilumina. É um paradoxo que ajuda a poesia e que eu falo sem pudor. Eu tenho que essa visão oblíqua vem de eu ter sido criança em lugar perdido onde havia transfusão da natureza e comunhão com ela. Era o menino e os bichinhos. Era o menino e o sol. O menino e o rio. Era o menino e as árvores.

 

Manoel de Barros

Escrito por Sayô & Shara às 00h16
[ ] [ envie esta mensagem ]

10/03/2006


 

 

Ei você,olhe 10 segundos nesses olhos lindos... 

 

 

 

Carta ao Chico

 


Chico Buarque meu herói nacional
Chico Buarque gênio da raça
Chico Buarque salvação do Brasil

A lealdade, a generosidade, a coragem.
Chico carrega grandes cruzes, sua estrada é uma subida pedregosa.
Seu desenho é prisco, atlético, ágil, bailarino.
Let´s dance! Eterno, simples, sofisticado, criador de melodias bruscas,
nítidas, onde a Vida e a Morte estão sempre presentes, o Dia e a Noite, o
Homem e a Mulher, Tristeza e Alegria, o modo menor e o modo maior,
onde o admirável intérprete revela o grande compositor, o sambista, o
melo inventivo, o criador, o grande artista, o poeta maior, Francisco
Buarque de Hollanda, o jogador de futebol, o defensor dos desvalidos, dos desatinados, das crianças
que só comem luz, que mexe com os prepotentes, que discute com Deus e mora no coração do povo.
Chico Buarque Rosa do Povo, seresteiro poeta e cantor que aborrece os tiranos e alegra a tantos,
tantos...
Chico Buarque Alegria do Povo, até seu foxtrote é brasileiro.
Zonoi Norte, Malandragem, Noel Rosa, Sivuca, Neruda, Futebol, tudo canta na tua inesgotável Lyra,
tudo canto no martelo.
Bom Tempo, Bota água no feijão, Pra ver a banda passar, Vem comer, vem jantar, menino Jesus, dia
das mães, vou abrir a porta. Deus; Pai, afasta de mim este cálice de vinho tinto de sangue. Chico
também não evitou assuntos escabrosos, sangue, tortura, derrame, hemorragia...
Houve um momento em que temi pela tua sorte e te falei, mas creio que o pior já passou.

Chico Buarque homem do povo
Fla Flu, calça Lee, carradas de razão
Mamão, Jacarandá, Surubim
Macuco não, Pierrot e Arlequim
Você é tanta coisa que nem cabe aqui
Inovador, preservador, reencarnado, redivivo
Mestre da língua
Cabelos negros
Olhos de gatão selvagem
Dos grandes gatos do mato
Olhos glaucos, luminosos
Teu sorriso inesquecível
Ó, Francisco, nosso querido amigo
Tuas chuteiras caminham numa estrada de pó e esperança

 

 

 

Tom Jobim

 

 

Escrito por Sayô & Shara às 09h51
[ ] [ envie esta mensagem ]

09/03/2006


 

 

 

 

 


Estamos aí 


  
 
Estamos aí
Gente amiga que muito se quer
Estamos aí
Pro que der e vier
Estamos aí
Pro amor e pra desilusão
Mas como é bom cantar
Multiplicar a magia de cada canção
Música
Como é bom cantar
Música

Deixa pensar
Que pra amar é preciso fingir
Deixa dizer
Que é preciso mentir
Deixa falar
Que a poesia não pode existir
Deixa pra lá
Estamos aí

 

 

 

Tom Jobim - Vinicius - Aloli - Chico Buarque/1977
Tom - Vinicius - Toquinho - Miúcha
Gravado ao vivo no Canecão - Som Livre


 

Escrito por Sayô & Shara às 10h46
[ ] [ envie esta mensagem ]

08/03/2006


 

 

 

 

 

 

DIA INTERNACIONAL DA MULHER


Dedico esse texto pra todas as mulheres :

DIA DAS MÃES. Mães,mulheres...Falando de nós!


Sempre que vou falar a respeito do dia das mães, me lembro do caminho construído por nós, mulheres. Até bem pouco tempo (talvez uns vinte anos atrás!) nós “acreditávamos” que o amor só acontecia uma única vez. Carregávamos responsabilidades inacreditáveis. Precisávamos ser sinônimo de amor, compreensão, dedicação, maternidade... a balança e o remédio para a felicidade de uma família. Na verdade, esta é uma idéia bem romântica... mas penso que esta idéia está naufragando. É que o amor romântico (com resquícios do passado!) parte da premissa de que somos fração, necessitando encontrar a nossa outra metade, para assim nos tornarmos inteiras, completas. Muitas vezes ocorre até um processo de despersonalização que, historicamente atingiu-nos, profundamente. Abandonávamos as nossas características, para nos moldar ao projeto masculino.  A palavra de ordem neste início de século, é PARCERIA. O que ela quer dizer em se tratando da relação homem x mulher?Quer dizer trocar o amor de necessidade pelo amor de desejo. “Eu gosto e desejo a sua companhia, mas não preciso, o que é bem diferente. As mulheres estão começando a perceber que se sentem fração mas são inteiras.
  Somos todos seres integrais, inteiros e não metades. Homens e mulheres não são príncipes ou princesas e nem a salvação um do outro: são somente companheiros de viagem. Esta nova forma de amor – ou mais amor – tem então, outro significado: amar supõe a união de dois inteiros e não de duas metades. Mas isto só é possível para aqueles que se predispõem a desenvolver a sua individualidade, buscando a sua segurança, aprendendo a conviver inclusive com a solidão. Aliás, é bom frisar que, a solidão é boa, ficar sozinho(a) não é vergonhoso. Ao contrário, dá dignidade às pessoas e, em geral, pessoas que aprendem a viver sozinhas estabelecem diálogos internos, descobrem a sua força pessoal e, em conseqüência estarão melhores preparadas para uma boa relação afetiva.
 
O que posso desejar a todas as mulheres – mães neste dia?
  Que confirmem a beleza de serem “inteiras” e não fração.
  Que possamos todas receber “aquele” aconchego e... que sejamos felizes com nossos companheiros ou com a nossa solidão.

(Consuelo)

Escrito por Sayô & Shara às 08h42
[ ] [ envie esta mensagem ]

06/03/2006


 

 

 

 

 

 

 

 

Mar e Lua

 


Amaram o amor urgente
As bocas salgadas pela maresia
As costas lanhadas pela tempestade
Naquela cidade
Distante do mar
Amaram o amor serenado
Das noturnas praias
Levantavam as saias
E se enluaravam de felicidade
Naquela cidade
Que não tem luar
Amavam o amor proibido
Pois hoje é sabido
Todo mundo conta
Que uma andava tonta
Grávida de lua
E outra andava nua
Ávida de mar
 

E foram ficando marcadas
Ouvindo risadas, sentindo arrepios
Olhando pro rio tão cheio de lua
E que continua
Correndo pro mar
E foram correnteza abaixo
Rolando no leito
Engolindo água
Boiando com as algas

 

Chico Buarque

Escrito por Sayô & Shara às 11h39
[ ] [ envie esta mensagem ]

05/03/2006


 

 

 

 (Anucha,Ju e eu:Sayô) Brigada pela amizade de vcs! Amo vcs muito e bem grande....


A ostra e o vento 

 

  
Vai a onda
Vem a nuvem
Cai a folha
Quem sopra meu nome?
Raia o dia
Tem sereno
O pai ralha
Meu bem trouxe um perfume?
O meu amigo secreto
Põe meu coração a balançar
Pai, o tempo está virando
Pai, me deixa respirar o vento
Vento

Nem um barco
Nem um peixe
Cai a tarde
Quem sabe meu nome?
Paisagem
Ninguém se mexe
Paira o sol
Meu bem terá ciúme?
Meu namorado erradio
Sai de déu em déu a me buscar
Pai, olha que o tempo vira
Pai, me deixa caminhar ao vento
Vento


Se o mar tem o coral
A estrela, o caramujo
Um galeão no lodo
Jogada num quintal
Enxuta, a concha guarda o mar
No seu estojo
Ai, meu amor para sempre
Nunca me conceda descansar
Pai, o tempo vai virar
Meu pai, deixa me carregar o vento
Vento
Vento, vento

 

Chico Buarque/1998
Para o filme A ostra e o vento, de Walter Lima Jr.

Escrito por Sayô & Shara às 21h37
[ ] [ envie esta mensagem ]

04/03/2006


 

 

 

 

 

 

 

 

É tão simples 
 

 
  
"Quero mais
Quero mais
É tão simples abusar do meu espírito ingênuo
Já passaram mil romances, caravanas, sentimentos
Desarvorados
Num tempo sublime
Do verbo amar.
Amarei aquele que chegou
Pra não partir jamais
Partiu
Agora eu quero mais"

 

 

Chico Buarque/1989
Para a peça Suburbano coração, de Naum Alves de Souza
Gravada no CD Tão simples, de Ana de Hollanda
 

 

Escrito por Sayô & Shara às 11h25
[ ] [ envie esta mensagem ]

 

 

 

 

 

 

 


"... amando noites afora
fazendo a cama sobre os jornais
um pouco jogados fora
um pouco sábios demais
esparramados no mundo
molhamos o mundo com delícias
as nossas peles retintas
de notícias..."

 

Chico Buarque

 

 

 

P.S.  A IDÉIA DE POSTAR CHICO BUARQUE POR UMA SEMANA,FOI DA SHARA.Esse post vai pra tu minha mana.Saiba que a sua sensibilidade,sua doçura,sua poesia,seu lado mágico e simples de  enxergar a vida me encantam demais! Te amo BEM MUITO E BEM GRANDE =)

Beijo,Sayô.

Escrito por Sayô & Shara às 10h54
[ ] [ envie esta mensagem ]

03/03/2006


 

 

 

 


Viria a te buscar
porque pensando em ti
corria contra o tempo.
Eu descartava os dias
em que não te vi
como de um filme
a ação que não valeu.
Rodava as horas para trás
roubava um pouquinho
e ajeitava o meu caminho
pra encostar no teu.
Subia na montanha
não como anda um corpo
mas um sentimento.
Eu surpreendia o sol
antes do sol raiar
saltava as noites
sem me refazer.
E pela porta de trás
da casa vazia
eu ingressaria
e te veria
confusa por me ver.
Chegando assim
mil dias antes de te conhecer.

 

 

Chico Buarque

 

Escrito por Sayô & Shara às 07h34
[ ] [ envie esta mensagem ]

01/03/2006


 

 

 

 

 

 

A LEVEZA

 

O que me separa de ti?
O que me aproxima de ti?
Algo entre nós
Diz
Algo entre nós
Implora
Algo entre nós
Silencia
E entre nós
Algo separa e aproxima
É entre nós
Que algo sua
Geme
E se mostra
Um leve movimento
Entre pernas, pelves e lençóis
Que separa e aproxima
Algo entre nós.

 

Mariêta Bacante

 

 

Quem é MARIÊTA BACANTE?

 

É uma cabra libertina e, como tal, aprendeu desde cedo a pular cercas e seguir rumo aos campos em busca da brisa suave da montanha. Para tanto, produziu um corpo aberto e apto a seguir, sem muita pressa, seus desejos mais ocultos.
Nasceu em meio à vertigem do tempo.
À flor da pele, sente arrepios, dores e gozos com tal intensidade que, à noite, seus urros ardentes inquietam o corpo de quem os ouve.
Aqui e acolá, vagueia perseguindo o perfume da flor rara que nasce entre as pedras, pois um dia a cheirou e nunca mais esqueceu.

 

Shara Jane

Escrito por Sayô & Shara às 12h24
[ ] [ envie esta mensagem ]


Artes (com) trastes e traquinagens

Nós, Sayonara e Shara, resolvemos criar um blog que fale mais da vida, das relações entre as pessoas,das questões que envolvem o nosso mundo,especialmente sobre a poesia,a música, a dança...
Queremos falar das coisas cotidianas, das nossas coisas, não para falar do mundo privado pelo mundo privado, como no Big Brother Brasil, mas para falar das coisas que façam as pessoas olharem para o mundo externo, aquele que nos provoca, nos faz pensar e nos mobiliza a olhar para nós mesmos.
A arte com singularidade nos possibilita isso, sair de si e entrar no universo de múltiplos e intensos contrastes dos outros. Assim, a proposta é que 'trastes' de todo tipo invadam o nosso blog e proliferem as traquinagens que fertilizam os nossos corpos alegres, dançantes, embriagados.
Artes (com) trastes e traquinagens espera ser um agradável cantinho,para os chegados, os estranhos,os nômades e os trastes de todo tipo ou ideais.

Sejam Bem Vindos!


Sayô & Shara



online




:: Jorge Vecilo :: Fácil de Entender ::



"Poema é lugar onde a gente pode afirmar que o delírio é uma sensatez."
(Manoel de Barros)


"Pelos meus textos sou mudado mais do que pelo meu existir."
(Manoel de Barros)


"Sabedoria pode ser que seja ser mais estudado em gente do que em livros."
(Manoel de Barros)


"Quem se encosta em ser concha é que pode saber das origens do som."
(Manoel de Barros)


Visitante Número