
CORPO SEM FLOR
Corpo
Sem cor
Sem flor
Corpo
Em andança
Esquálido
Partido
Andarilho.
Corpo
Sem cor
Sem flor
Em dança
Sem flor
Mórbida
Sombria.
Corpo
Cheiro de dor
Um ventre
Chora o desejo
Esquálido desejo
Sem flor!!!
Mariêta Bacante

CORPO SEM FLOR
Corpo
Sem cor
Sem flor
Corpo
Em andança
Esquálido
Partido
Andarilho.
Corpo
Sem cor
Sem flor
Em dança
Sem flor
Mórbida
Sombria.
Corpo
Cheiro de dor
Um ventre
Chora o desejo
Esquálido desejo
Sem flor!!!
Mariêta Bacante

ENTRE OS DEDOS
Entre os dedos
Escorre
A gosma
Amarga
Dos olhos tristes
De minha pele
Ferida
Seca
Outono Interminável
Entre os dedos.
Mariêta Bacante

DELÍRIO
Sair
Entrar em mim
Morte
Vida
Pulsar
Amarrar
Enforcar
Soltar
Fugir
Gritar
Bramir de um corpo
Como eu estou?
Em prantos
Arrebatando
desejos
Louca.
Em delírio
Presa
Em delírio
Sufocada
Mas, em delírio!!!
Mariêta Bacante

CARTO-ventre-GRAFIA
Sul
Norte
Que norte?
Desnorteada
Ao sul
Do corpo
desalinhado
Carto-ventre-grafia
Em mente
Delírios
Desejos
O ventre
Não mente
Sulnorte
Entre
Nobres
Partes
Enroscadas
Do mesmo
Do outro.
Mariêta Bacante

ETERNO RETORNO
Nada se conclui
Um dia chove,outro faz sol
num outro a noite
chega cedo...
como posso ter certeza
se nada conclui?
Tudo retorna com muita força
Sempre que olho o tempo
uma paisagem
se desenha...
intensa e forte
como a chuva
o sol,a noite
o acordar e o deitar
O nascer e o morrer
Tu és,a paisagem!
Mariêta Bacante

MOSAICO
Mosaico
Encorpado
Fluido
Mortal
Embriagada
Pulse
Esfomeada
Cante
Em-Fure-cida
Fure
As entranhas
Ame
Vazante
Entre
Os dedos
Se a porta estiver fechada
Ame
Entre as
Soleiras da porta.
Mariêta Bacante

OUTRO TEMPO
Cheirar
Olhar
Tatear
o que a lata
carrega
nos ombros
fortes
da negra
faceira.
Cheirar
Olhar
Tatear
Ouvir
O ruído
Dos pés
Saltitantes
Que o menino
Nos liberta.
E eu,
Onde estava?
Mariêta Bacante

“AQUI ROLA A BOLA ACOLÁ”
Manifesto
É corpo
É ar
Vamos
Corpo
Respire
O ar
Oxigente
Suas veias
Hidrate suas mãos
Tome o furor
Ensandecido
Da dor
Fure os Olhos
Tape os ouvidos
Não sinta o ar
Que o teu
Corpo ressentido
Insiste em respirar
Morra para poder viver!
É além
Não
É aqui
É lá
Um aperto
Uma dor
A vida
Escorrendo
Em sangue
Como uma torrente
Esvaindo-se
Para lá
Aqui
E acolá
Em qualquer lugar.
“AQUI ROLA A BOLA ACOLÁ” 3
Rola
A bola
Resvala
Entre
Aqui
Acolá...
Mariêta Bacante
CELEBRAÇÃO
Celebro vida
Sua forma
Suas cores
Seus muitos jeitos.
Celebro pelos encontros
Por causa deles
E por eles
Celebro o nosso encontro
Encontro-me
Vejo-me e
Encanto-me com ele
Celebro você
Com seu jeito
Seu sorriso
Sua vida
Celebro de todos os jeitos
Que houver
Muitos
E intermináveis encontros
Mariêta Bacante

".também eu queimo ao vento.
.o que se pode querer quando se escreve?. o nó agudo do peito mais aperta. não chegam os deuses. nem os santos. o ser amado não liga de repente e diz: te quero. o que se pode querer então?. perdão?. confessos, os crimes mais marcam a face. agora, como tatuagem arada de delírio. se escreve porque é preciso. para quem?. a alma do poeta ainda inflama. os céus suspeitam de sua natureza humana. o dia se abre como uma concha cheia de pérolas de fogo. por que escreve o poeta?. para quem?. de que modo?. por não ter sentido. por não ser necessário. para si e para o outro. com suas veias embebidas do sangue das palavras certas.
.o poeta escreve para não morrer. escreve para não paralisar as ondas. para adoçar o olhar das crianças. para fazer do amor mais sujo e profano também o mais virtuoso e angelical.
.o poeta escreve para que o tempo não doa e o dia amanheça com um beijo no olhar."(paulo amoreira)

"Aonde vão o comum
o de todos os dias
o descalçar-se na porta
a mão amiga
aonde vai a surpresa
quase cotidiana do entardecer?
Aonde vai a toalha da mesa
o café de ontem?
Aonde vão os pequenos
terríveis encantos que tem a casa
acaso nunca voltam a ser algo?
Acaso se vão
e aonde vão
Aonde vão?
Silvio Rodriguez

A DANÇA
Eu lhe mandei um convite, a nota inscrita na palma da minha mão pela chama da vida.
Não dê um salto gritando:"Sim, é isso que eu quero!.Vamos em frente!"
Apenas se levante em silêncio e dançe comigo.
Mostre-me que você segue seus desejos mais profundos,descendo em espiral em direção à dor dentro da dor,e lhe mostrarei como eu me volto para dentro e me abro para fora para sentir o beijo do Mistério,doces lábios sobre os meus,todos os dias.
Não me diga que você quer encerrar o mundo inteiro no seu coração.
Mostre-me como você evita cometer outra falta sem se desesperar qdo sofre uma agressão e tem medo de não receber amor.
Conte-me uma história sobre quem você é,e veja quem eu sou nas histórias que estou vivendo.
E juntos nos lembraremos que cada um de nós sempre tem uma escolha.
Não me diga que as coisas serão maravilhosas....um dia.
Mostre-me que você é capaz de correr o risco,de ficar plenamente em paz,totalmente à vontade com a maneira como as coisas são nesse exato momento,e também no momento seguinte,e no seguinte...
Já ouvi histórias demais sobre a audácia heróica.
Conte-me como você desmorona quando esbarra no muro,o lugar que você não pode transpor pela força da sua vontade.
O que conduz você para o outro lado desse muro,para a frágil beleza da sua condição humana?
E depois de mostrarmos um ao outro como definimos e mantivemos os limites claros e saudáveis que nos ajudam a viver lado a lado um com o outro,vamos correr o risco de lembrar que nunca deixamos de amar em silêncio aqueles que um dia amamos em voz alta.
Leve-me para os lugares do planeta que ensinam você a dançar,os lugares onde você pode correr o risco de deixar o mundo partir seu coração,e eu conduzirei você aos lugares onde a terra debaixo dos meus pés e as estrelas no céu fazem meu coração ficar inteiro de novo,e de novo...
Mostre-me como você cuida dos negócios sem deixar que eles determinem quem você é.Quando as crianças estão alimentadas mas as vezes internas e externas gritam que os desejos da alma têm um preço alto demais,vamos lembrar um ao outro que o que importa não é o dinheiro.
Mostre-me como você oferece ao seu povo e ao mundo as histórias e as canções que você quer que os filhos de nossos filhos recordem, e eu revalarei à você como eu me empenho,não para mudar o mundo,mas para amá-lo.
Sente-se do meu lado e compartilhe comigo longos momentos de solidão,conhecendo tanto a nossa absoluta solitude quanto o nosso inegável pertencer.
Dance comigo no silêncio e no som das pequenas palavras cotidianas,sem que eu me responsabilize no fim do dia por nenhum de nós dois.
E quando o som de todas as declarações das nossas mais sinceras intenções tiver desaparecido no vento,dance comigo na pausa infinita antes da grande inalação seguinte do alento que nos sopra a todos na existência,sem encher o vazio a partir de dentro ou de fora.
Não diga "Sim!".Pegue apenas pegue na minha mão e dance comigo.
Livro: A DANÇA
Autor: Oriah Mountain Dreamer

"Que viagem ficar aqui parada"
Alice Ruiz

"Só quem embala no peito dores amargas e secretas
é que em noites de luar pode entender os poetas"
Florbela Espanca

“Em caso de dor ponha gelo
Mude o corte de cabelo
Mude como modelo
Vá ao cinema, dê um sorriso
Ainda que amarelo, esqueça seu cotovelo
Se amargo foi já ter sido
Troque já esse vestido
Troque o padrão do tecido
Saia do sério, deixe os critérios
Siga todos os sentidos
Faça fazer sentido
A cada mil lágrimas sai um milagre
Caso de tristeza vire a mesa
Coma só a sobremesa, coma somente a cereja
Jogue para cima, faça cena
Cante as rimas de um poema
Sofra penas, viva apenas
Sendo só fissura ou loucura
Quem sabe casando cura
Ninguém sabe o que procura
Faça uma novena, reze um terço
Caia fora do contexto, invente seu endereço
A cada mil lágrimas sai um milagre
Mas se apesar de banal
Chorar for inevitável
Sinta o gosto do sal, do sal, do sal
Sinta o gosto do sal
Gota a gota, uma a uma
Duas, três, dez, cem, mil lágrimas sinta o milagre
A cada mil lágrimas sai um milagre”
Alice Ruiz

"Amo esse reino dos sonhos
onde você ainda cresce
essa luz nos meus olhos
onde você aparece
estar ainda viva
que assim a vida não te esquece”
Alice Ruiz
"Depois que um corpo
comporta outro corpo
Nenhum coração
Suporta o pouco”
Alice Ruiz

SEGUNDO CONSTA
O mundo acabando,podem ficar tranquilos.
Acaba voltando tudo aquilo.
Reconstruam tudo segundo a planta dos meus versos.
Vento, eu disse como.
Nuvem, eu disse quando.
Sol, casa, rua,reinos, ruínas, anos, disse como éramos.
Amor, eu disse como.
E como era mesmo?
Paulo Leminski

As borboletas voam sobre o meu jardim
São cores vivas, pousam sobre as "onze horas"
Nas rosas claras, violetas e jasmins
Um beija-flor traindo a rosa amarela
Beijou a bela margarida infiel
Papoula e dália estão cravadas de ciúmes
E o beija-flor beijando flores a granel
Pétalas, asas amarelas
Pétalas, espinho seco
Folha, flor, lagarta
Pétalas
As flores voam e voltam na outra estação
Só serei flor quando tu flores no verão
Pétalas na voz de Alceu Valença

Dois...
Apenas dois.
Dois seres...
Dois objetos patéticos.
Cursos paralelos
Frente a frente...
...Sempre...
...A se olharem...
Pensar talvez:
“ Paralelos que se encontram no infinito...”
No entanto sós por enquanto.
Eternamente dois apenas.
Pablo Neruda

"...do que falo é do que a pele aceitou sem pressa. quando escaparam as memórias e quase beijou. quase voou em abraços de nuvem e chuva. para onde passos vermelhos te levam agora?. se for para o mar me chama..."
(trecho retirado do flog http://ubbibr.fotolog.com/daimon)

Meu Quarto
Eu tenho um quarto rosa
Que está super na moda
Uma cama branca
Que quando enguiça a perna
Deito nela manca.
Meu quarto tem uma escrivaninha
Que é quase igual a da vizinha
E também um banheiro
Que minha prima bebê, quando quer sair do vaso,
Solta o maior berreiro.
Na janela tem um pé de jasmim
Que é tão cheiroso!
E quando a minha avó me pergunta se eu quero cheirar,
Eu digo que simmm!
Amanda Holanda

Eu Louvo a Dança,
pois ela liberta as pessoas das coisas,
unindo os dispersos em comunidade.
Eu louvo a Dança
que requer muito empenho,
que fortalece a saúde, o espírito iluminado
e transmite uma alma alada.
Dança é mudança do espaço, do tempo,
do perigo contínuo de dissolver-se
e tornar-se somente cérebro, vontade ou sentimentos.
A Dança requer o homem libertado,
ondulado no equilíbrio das coisas.
Por isso eu louvo a Dança.
A Dança exige o homem
todo ancorado em seu centro
para que não se torne, pelos desejos desregrados,
possesso de pessoas e coisas,
e arranca-o da demonia
de viver trancado em si mesmo.
Oh Homem, aprende a Dançar!
Caso contrário, os anjos não saberão
o que fazer contigo!"
(Santo Agostinho)
Texto retirado do flog
http://www.fotolog.com/janalobo

Barraqueiros corações
De Xico Sá.
Sim, homem é frouxo, só usa vírgula, no máximo um ponto e virgula; jamais um ponto final.

Sim, o amor acaba, como sentenciou a mais bela das crônicas de Paulo Mendes Campos: “Numa esquina, por exemplo, num domingo de lua nova, depois de teatro e silêncio; acaba em cafés engordurados, diferentes dos parques de ouro onde começou a pulsar...”
Acaba, mas só as mulheres têm a coragem de pingar o ponto da caneta-tinteiro do amor. E pronto. Às vezes com três exclamações, como nas manchetes sangrentas de antigamente.
Sem reticências...
Mesmo, em algumas ocasiões, contra a vontade. Sábias, sabem que não faz sentido prorrogação, os pênaltis, deixar o destino decidir na morte súbita.
O homem até cria motivos a mais para que a mulher diga basta, chega, é o fim!!!
O macho pode até sair para comprar cigarro na esquina e nunca mais voltar. E sair por ai dando baforadas aflitas no king-size do abandono, no Continental sem filtro da covardia e do desamor.
Mulher se acaba, mas diz na lata, sem metáforas.
Melhor mesmo para os dois lados, é que haja o maior barraco.Um quebra-quebra miserável,celular contra a parede, controle remoto no teto, óculos na maré, acusações mútuas, o diabo-a-quatro.
O amor,se é amor, não se acaba de forma civilizada.
Nem no Crato...nem na Suécia.
Se ama de verdade, nem o mais frio dos esquimós consegue escrever o “the end” sem uma quebradeira monstruosa.
Fim de amor sem baixarias é o atestado, com reconhecimento de firma e carimbo do cartório, de que o amor ali não mais estava.
O mais frio, o mais “cool” dos ingleses estrebucha e fura o disco dos Smiths, I Am Human, sim, demasiadamente humano esse barraco sem fim.
O que não pode é sair por ai assobiando, camisa aberta, relax, chutando as tampinhas da indiferença para dentro dos bueiros das calçadas e do tempo.
O fim do amor exige uma viuvez, um luto, não pode simplesmente pular o muro do reino da Carençolândia para exilar-se, com mala e cuia, com a primeira criatura ou com o primeiro traste que aparece pela frente.
E vamos ficando por aqui, pois já derrapei na curva da auto-ajuda como uma Kombi velha na Serra do Mar... e já já descambarei, eu me conheço, para o mundo picareta de Paulo Coelho. Vade retro.

TUDO PASSA
Uma das músicas mais bonitas da MPB é aquela composta pelo Nelson Motta e cantada pelo Lulu Santos, que diz que na vida tudo passa, tudo sempre passará, como uma onda no mar. Linda. Mas é mentira.
A garota está sofrendo o diabo porque brigou com o namorado e a mãe consola com a frase de sempre: vai passar. O garoto levou bomba no vestibular e o melhor amigo diz: na próxima vez você passa. Analisando superficialmente, é verdade, todas as nossas dores, um dia, cessam. Para dar lugar a novas dores. Tudo passa? Nada passa!
É isso que ninguém tem coragem de nos dizer. A dor da perda, a dor de fracassar, a dor de não corresponder a uma expectativa, a dor de uma saudade, a dor de não saber como agir, de estar perdida, instável, de ter dúvidas na hora de fazer uma escolha, todas estas dores, que parecem pequenas para quem está de fora, nos acompanharão até o fim dos nossos dias. Elas não passam. Elas ficam. Elas aninham-se dentro da gente, o que não deve servir de motivo para pularmos de uma ponte. Mario Quintana escreveu que nós somos o que temos e o que sofremos. Sem dor, sem vida interior.
Não passam as dores, também não passam as alegrias. Tudo o que nos fez feliz ou infeliz serve para montar o quebra-cabeças da nossa vida, um quebra-cabeças de 100.000 peças. Aquela noite que você não conseguiu parar de chorar, aquele dia que você ficou caminhando sem saber para onde ir, aquele beijo cinematográfico que você recebeu, aquela visita surpresa que ela lhe fez, o parto do seu filho, a bronca do seu pai, aquela festa para a qual você não foi convidada, o acidente que lhe deixou cicatrizes, tudo isso vai, aos pouquinhos, formando quem você é. Não há nenhuma peça que não se encaixe. Todas são aproveitáveis. Como são muitas, você pode esquecer de algumas, e a isso chamamos de "passou". Não passou. Está lá dentro, meio perdida, mas quando menos você esperar, ela vai ser necessária para você completar o jogo e se enxergar por inteiro.
Martha Medeiros