Artes (com) trastes e traquinagens


31/10/2005


 

 

 

"sentir úmido.

.o que se constitui sem ter-se por isso medida?. sentires murmurantes vertendo dentro do corpo desejos novos e amplidões interiores. do que se faz uma paz aflita?. que gosto tem o afago do que morde o invisível que cachoeira entre as costelas azuis e infinitos?.

.de quantos modos as asas encontram o vôo?.

.de todos os modos que começam com um beijo."

 

 

Escrito por Sayô & Shara às 18h24
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28/10/2005


VOCES ME AJUDAM A PENSAR?

 

Hoje acordei com uma saudade... De quê? Ou, de quem? Nem sei direito. Uma saudade que nem soube dar um nome. Isso me fez pensar: Como passar por um amor imune? Penso que nada marca mais o corpo. O que fica retido? Amamos continuamente, como selecionamos quem a gente vai lembrar? Como um rio caudaloso aprendemos e ganhamos novos contornos, mas alguma coisa a gente retem ao redor do leito formando nas margens resíduos de toda sorte. As vezes nossas lembranças são doces, ternas, outras nem tanto. Como fazer para retermos somente o que nos dar prazer e leveza? A imaginação torna nossas lembranças terreno fértil. Imaginar é a potencia da criação. Acho que por meio dela nós damos o contorno e escolhemos como vamos colorir nossas lembranças das coisas que  vivemos com maior intensidade. Inventamos até  mesmo palavras tais como saudade para os afetos que retemos. Afetos... afetação: o toque intenso que tatua novamente nossa pele dando a ela tons e imagens signficativas para nós e para os outros que tocamos. Como afetar? Como lembrar? O quê lembrar?

 

 

 

Espiche ao máximo o corpo, sinta seu fluxo contínuo e dê bom dia ao dia!

Beijos, Shara  Jane.

 

 

Escrito por Sayô & Shara às 09h27
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27/10/2005


Ontem fui ao show do Teófilo. Fui meio jururu, cansada depois de um dia de trabalho intenso. Um pouco alheia no inicio do  show, achava que nada ia me fazer sair daquele estado de dormência. De repente, não mais que  de repente, Teófilo na sua magia grita: "Beijou a  minha boca como se quisesse arrancar meu coração!" E eu fui invadida, pulei na cadeira, dançei, e cantei, inteiramente envolvida, aliás não só eu, todo o teatro foi só frenesi, a coisa mais linda. Sai de lá leve, com a nitida certeza de que só a alegria vale para nos tornar revigoradas para um novo dia. Não aguentamos inteiramente a verdade. Aliás, sempre duvido  quando alguém diz: "eu sou sincero, digo sempre a verdade!", porque nem sempre queremos    viver de realidade. A fantasia, a imaginação nos traz a possibilidade de olharmos de outro modo as cores da vida. O que voces acham disso, amig@s

Não sei, as vezes preciso olhar o  belo, a arte para enfrentar o dia. Como diz Nietzshe:

Bom dia, galera linda deste blog. Aproveitem bem o seu dia! É preciso as vezes se embriagar para aguentar tanta crueza. Um beijo, Shara  Jane.

 

Escrito por Sayô & Shara às 11h10
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26/10/2005


O que nos basta? Leonardo Boff nos diz que somos um projeto infinito porque somos seres de PROTEST-AÇÃO, sempre prontos a quebrar barreiras, a saltar cercas e inventar mundos. Não é à toa que Fernando Pessoa nos faz pensar que o impreciso nos embala porque é sempre motivo para novos nascimentos.

Vejam que arraso:

 

Um beijo dobrado, Shara Jane.

Escrito por Sayô & Shara às 12h28
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25/10/2005


AMIG@S, ESTA SEMANA PASSAREI A CONVIVER COM VOCES COM GOTAS DE POESIA PARA ALIMENTAR O CORPO E ALEGRAR A ALMA. O QUE ACHAM DISSO?

VEJAM O QUE É TRANSFORMAR SENTIMENTOS EM ARTE:

Texto: Fernando Pessoa / Álvaro de Campos
Ilustração: Pintura de Edward Hopper / Rooms by the Sea,1951

 

SÓ QUEM VIVE MUITO TEM O QUE CONTAR. TOQUE COM A PONTA DOS DEDOS A  VIDA E SE ENTREGUE INTEIRA, SEM MEDO DE CORRER RISCOS. UM BOM DIA A TOD@S, SHARA.

 

Escrito por Sayô & Shara às 09h04
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24/10/2005


Sayô,

deixa-me sem jeito, mas prometo não deixar nossos leitores na mão. Como escrever para mim é um mistério, um gozo... sinto as palavras como um mel que escorre pelos cantos do corpo prontas para escapar e tornar-se verbo num palavrar. 

Fernando Pessoa diz:

Gosto de dizer. Direi melhor: gosto de palavrar.

As palavras são para  mim corpos.

Tocáveis, sereias visíveis, sensualidades incorporadas.

Desse modo, sensualidades incorporadas povoam as minhas mãos e saem voando pelos cantos, dobradas em corpos de muitos jeitos, assim como uma bailarina - com suas mil saias esvoaçantes que trazem mil cores e sentidos para cada gesto, cada ato tornando-se continuamente outra - pura poesia! Assim te toco, te afeto e me dobro diante das tuas palavras misteriosas que ainda hei de aprender.

Boa tarde, com  beijos dobrados, Shara Jane

Escrito por Sayô & Shara às 16h14
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23/10/2005


Quem por aqui passa, sabe q esse blog eh meu(Sayô) e Shara minha irmã.

 Mas tenho postado bastante, portanto vou deixar p Shara postar até o fim do ano.

O espaço é todo teu Shara, serei sua leitora o que eu amo fazer.

Beijos em todos,

Sayô

 

"Eterno, é tudo aquilo que dura uma fração de segundo, mas com tamanha intensidade, que se petrifica, e nenhuma força jamais o resgata..."

Mário Quintana

Escrito por Sayô & Shara às 17h38
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22/10/2005


 

Sofra bastante que não passa

O momento em que o desânimo perante a confusão do novo suplanta a vontade de sair da fossa é a hora propícia para fazermos as maiores asneiras da vida: reencontrar ex-namorado(a) enquanto o sentimento ainda não deu o último estertor é cagada na certa.

Relacionamentos naufragados são como domingos de chuva: sabemos que não servem pra nada, mas insistimos que podem ser úteis pra alguma coisa. E aí, depois de reembarcar na canoa furada, arrumamos mais argumentos para sustentar as lamentações sobre o quão infelizes somos nós e abjetos, os outros. Mas esquecemos que fomos (re)conquistados porque teimamos em ter fé em coisas que não dependem de fé, acreditamos que o que era ruim até um segundo atrás poderia ter se tornado perfeito e reluzente. Fomos seduzidos pelo que quisemos ver e não pelo que estava, de fato, na nossa frente; nos agoniamos por não ter respostas pras nossas dúvidas e projetamos todas as soluções na "presença curadora" do outro.

Mas elas não vêm. E a mágoa volta. Dobrada. Chorosos, putos da vida, pedimos ao céu uma explicação razoável para o bis do sofrimento. Tentamos nos consolar em ombros de amigos, livros de auto-ajuda, sexo fácil, mas a explicação teima em não vir. Não adianta procurar debaixo do sofá, porque ela está estampada na sua testa: você sofre porque é uma besta.

A experiência vivida com aquela pessoa "magnânima" nos deu avisos suficientes de que a relação, se fosse um sapato, não era do tamanho do nosso pé: ou vai nos dar calo (de novo) ou cair no meio da rua. Vimos com nossos próprios olhos todos os problemas; os gritos das brigas arranharam a garganta e mesmo assim lá estamos nós insistindo em dar murro em ponta de faca. Tentando desesperadamente acreditar que dois monólogos podem fazer um diálogo - feliz e agradável, além de tudo. Mas a única coisa que conseguimos são mais calos, ainda mais doídos. O sapo é sapo, e só, enterre as ilusões. Não estou dizendo que existam pessoas ruins. De forma alguma. Apenas ruins pra você.

O fato é que, por comodismo e paúra, nos acostumamos até com a infelicidade de um relacionamento capenga. O temor diante do novo nos priva da grande alegria de descobrir que o mundo é maior que a nossa dor-de-cotovelo, que o cheiro ou os traços do(a) ex. Esse temor da rejeição, da exposição, da falta de controle perante o que não conhecemos é o que de mais castrador podemos fazer a nós mesmos. "Tá ruim, mas todo mundo tem problemas, não é?", como se isso fosse desculpa. Quer dizer que você vai comer cocô só porque 1 bilhão de moscas comem? Se os outros são sentimentalmente miseráveis, azar o deles! Não cabe a você solucionar a vida alheia.

Ansiar por um momento que nunca se repetirá é apenas o outro lado de ansiar por um momento que passou pra sempre. O passado só é lindo porque já foi. Não adianta tentar reproduzir as cores dele no presente porque o tom nunca será o mesmo. Nem você. Nem o outro. Nem o que os cerca. Esse presente (re)fantasiado, por melhor que seja, nunca se igualará às suas expectativas ou lembranças. E acabará, fatalmente, em decepção.

Quer saber? Levante a âncora. Porque quem anda olhando pra trás acaba tropeçando - e, pior, perdendo toda a paisagem.

Pense num texto, rs...adoro as crônicas da Ailin Aleixo.....Beijos e Bom Finde, Sayô

Escrito por Sayô & Shara às 13h03
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21/10/2005


 

 

A NOITE NA ILHA

_Pablo Neruda_

 

Dormi contigo a noite inteira junto ao mar, na ilha selvagem e doce eras entre o prazer e o sono, entre o fogo e a água.

 

Talvez bem tarde nossos sonos se uniram na altura e no fundo,em cima como ramos que um mesmo vento move, em baixo como raízes vermelhas que se tocam.

 

Talvez teu sono se separou do meu e pelo mar escuro me procuravas como antes, quando nem existias, quando sem te enxergar naveguei a teu lado e teus olhos buscavam o agora pão, vinho, amor e cólera, te dou, cheias as mãos, porque tu és a taça que só esperava os dons da minha vida.

 

Dormi junto contigo a noite inteira, enquanto a escura terra gira com vivos e com mortos. De repente desperto e no meio da sombra meu braço rodeava tua cintura. Nem a noite nem o sonho puderam separar-nos.

 

Dormi contigo, amor, despertei e tua boca saída de teu sono meu deu o sabor da terra, de água marinha, de algas, de tua íntima vida, e recebi teu beijo molhado pela aurora como se chegasse do mar que nos rodeia.

 

Bom Finde!

 Beijos,

Sayô

                                                               

 

Escrito por Sayô & Shara às 10h34
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18/10/2005


 

Do blog do Edwar pra vcs

Eu quero

amor piscina

que sobe e desce trampolins

cai e sai nadando

amor em que se afunda e simplesmente sai se amando

 

"eu quero o amor... aquele que a gente se afunda, fica sem respirar e vem a tona feliz como um golfinho!" Shara Jane

 

"Eu quero amor mar, com suas marés altas e baixas, onde possa saltitar, mergulhar,atravessar. Nesse amor me tornar sereia, encanto, bailarina das aguas oceanicas. Amor mar, com ondas que me levem ao aprofundo de suas aguas partilhando suas cores e segredos, e me traga a superfície me dando a segurança da terra firme. Eu quero um amor mar, para poder saborear o sal, brincar com as aguas, exaustar meu corpo, adormecer ao por do sol, a beira mar, e despertar com as carícias dos primeiros raios de sol. Quero um amor mar, para sentir a brisa beijar meu corpo, a lua cobrir-me a alma, as aguas a profanar meu sexo ...Queria amor mar,amor intenso,amor oceanico, um tsunami a varrer minha solidao." Maize Daniela 

 

 

Beijos,Sayô

 

 

Escrito por Sayô & Shara às 11h12
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17/10/2005


 

 

SAUDADE

Na solidão na penumbra do amanhecer.
Via você na noite, nas estrelas, nos planetas,
nos mares, no brilho do sol e no anoitecer.

Via você no ontem , no hoje, no amanhã...
Mas não via você no momento.

Que saudade...

Esse poema vai em especial pra todos nós, admiradores  dele - MÁRIO QUINTANA-

Ótima semana!
Beijos

Sayô

Escrito por Sayô & Shara às 16h39
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14/10/2005


 

 

Busque o equilíbrio!

 

 

"Pense no quanto você aprendeu com algum desequilíbrio que tenha vivido...
Temos, por hábito, acreditar que os desequilíbrios, que os tropeços que muitas vezes na vida, nos conduzem a um fracasso!
Se refletirmos um pouco, veremos que a fome é um sinal de desequilíbrio, é a manifestação do organismo dizendo que é preciso comer!
A sensação de frio é a manifestação do corpo em desequilíbrio, dizendo que o calor que ele é capaz de gerar, não é suficiente para nos aquecer!
A sede indica que há um desequilíbrio, pois o líquido existente no corpo não é o bastante, naquele instante, para o bom funcionamento dos órgãos.
E o que dizer do andar?
A gente se equilibra sobre as duas pernas, mas a locomoção só acontece através do desequilíbrio das passadas das pernas. Vemos, assim, que a vida se manifesta numa sucessão de instantes de desequilíbrios, que acontecem para nos equilibrar de novo!
Por que, então, fazermos dos eventuais insucessos um fracasso definitivo?
Por que transformarmos uma iniciativa que não deu certo, em falta de ânimo para prosseguir?
Haverá alguém que nunca tenha errado?
A história registra a saga de alguns grandes vencedores que, inicialmente, experimentaram o sabor da derrota mas que, buscando dentro de si, encontraram forças para superar as próprias limitações.
Se nos pântanos e entre as pedras nascem flores, podemos, nos meio da crise, assimilar lições, mudando o foco dos nossos planos!
Acredite: tudo na vida contribui para a nossa evolução. Muitas vezes, os problemas não são tão grandes e complexos. É só o jeito de encarar...
O nosso olhar é que precisa ser modificado.
E mudar a maneira de enxergar as coisas também causa um certo desequilíbrio.
Os desequilíbrios podem ser encarados como mediadores de uma nova situação.

Por isso, iluminemos-nos a cada desequilíbrio.
E, lembre-se: não há nenhuma árvore que o vento não tenha sacudido."

 Beijos,e Bom Findi!

Sayô

Escrito por Sayô & Shara às 09h04
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13/10/2005


 

"Tempus Fugit"

 quer dizer

 "o tempo foge".

A vida é breve.

"Carpe Diem"

quer dizer

"colha o dia".

 Colha o dia como se fosse um fruto maduro que amanhã estará podre.

A vida não pode ser economizada para amanhã.

 Acontece sempre no presente.

 

Beijos,Sayô

 

Escrito por Sayô & Shara às 11h11
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11/10/2005


 

 

mistério que devora.

".de mel de auroras refaz pasto. escuro hermetismo que devora. anda com nervos acesos pela terra das gentes. aguça esporas. marca corcel do tempo com tuas derrotas. deixe-se vencer para que mergulhes na porta que abre mundo que não se te mostra. não decifra mistério. não mata o que te aponta. abandona-te aos lampejos do que te azuleja de horas.

.não pensa. sente. tudo quanto importa não cabe num nome. é fome o que o ser ressoa. sem trégua aporta."

 

Gostei disso e tô repassando pra vcs, beijos.

Sayô

Escrito por Sayô & Shara às 09h48
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08/10/2005


                     CONVITE IMPERDÍVEL

 

 

 

Amig@s deste blog, repasso para vocês a foto do painél e o convite do Joca Oeiras para a inaguração de uma casa cultural em Parnaíba que deverá parada obrigatória para quem passar por lá. Detalhe a casa era do nosso avô Simião,  pai do sr. Elias. Vocês não imaginam o que é morar na rua Cond’eu,  especialmente numa casa de paredes largas, e altas. Um quintal grande maravilhoso para descobertas de criança. Não sei se existe ainda mas tinha um poço no quintal que eu e as minhas irmãs banhávamos todas nuas.

Um beijo, Shara.

 

ABAIXO SEGUE O E-MAIL DO  JOCA E SEU CONVITE:

 

Queridos Amigos, 

O Espaço Cultural "Casa da Cajuína" será inaugurado no próximo dia 14 de outubro a partir das 19:30h. A casa fica na esquina da rua Conde D'Eu com rua do Rosário, no centro da Parnaíba bem próximo à Praça da Graça e ao porto das barcas.

Para Joca Oeiras, idealizador e sócio-proprietário do espaço, "não se trata de mais um bar mas de um local de resistência cultural. A cajuína, a par do delicioso refrigerante que é, simboliza, para mim, a cultura nordestina no que ela tem de mais autêntico."

A inauguração contará com diversas atrações, inclusive um desfile de modas em que o estilista Jorge Ferraz pretende juntar roupa

s e artesanato. Também será inaugurado um painel artístico criado pelo parnaibano Assis Brito.

E uma exposicão iconogáfica e retrospectiva do Joca Oeiras cumprirá o papel de apresentar o anjo andarilho aos parnaibanos

Para minimizar a deficiente iluminação desta parte da cidade foram encomendados  5 placas back-light  além de outras intervenções luminosas.

Vai ser muuuito legal. Beijos e abraços do Joca Oeiras, o anjo andarilho

 

Escrito por Sayô & Shara às 08h34
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06/10/2005


 

Ela existe

Encontrei a danada, mas ela fugiu. Pouco depois a encontrei de novo, mas ela disse que estava atrasada e eu entendi com preguiça de filosofar. Mais tarde ela voltou sem falar nada e se enfiou comigo embaixo das cobertas, quentinha. Só foi embora quando o relógio despertou rasgando o conforto, estava frio. Durante o dia ela voltou em situações bobas como o sorriso do menino mais lindo do mundo, a bolacha de chocolate que eu lembrei que tinha na gaveta e um título engraçadinho que eu fiz e foi aprovado pelo cliente. Ela ia e voltava, ia e voltava: como a vida. Linear são os batimentos cardíacos da morte. A noite ela apareceu na porta do meu banheiro, fez tanta força que entrou mesmo com a porta fechada. Focinhou a porta do box e me mostrou a bolinha de brinquedo me chamando para brincar, ao mesmo tempo entrou pela janela revestida de cheiro de hambúrguer. Veio em dose dupla.
As vezes ela desaparece durante tanto tempo que me falta o ar. Dá uma saudade louca, ela deixa um vazio depressivo, um buraco. Ela me deixa mais uma e eu odeio ser mais uma. Não posso negar a dependência que eu tenho dela. Mas eu aprendi, finalmente, eu aprendi que ela não aparece apenas numa grande história de amor, numa viagem com tudo pago para Paris ou numa bufunfa boa lá na minha conta bancária carente. Ela também dá as caras pelo lado simples da vida, ontem apareceu numa tomada. Eu estava numa sala de espera lotada, esperando para abrir as pernas naquela cama da tortura e ouvir da minha ginecologista que sim, vai doer, mas é para o meu bem. E ela apareceu. Eu precisava recarregar meu celular para saber o que o esquisito tinha deixado na minha caixa postal e uma tomada apareceu do meu lado, foi só afastar um pouco as revistas Caras e outras do mesmo gênero (enquanto você espera para saber como vai sua vagina você fica sabendo como vai a vagina das outras). E lá estava o recado dele, esquisito como sempre, mas com aquela voz lacônica e charmosa. A felicidade entrou com o pé na porta e sentou ao meu lado. Eu não estava mais sozinha esperando o espéculo. O trânsito todo parado e ela acena no carro ao lado, depois morre de vergonha e toma bronca do pai para sentar direito na cadeirinha. O dia meio cinzento, vai-não-vai e de repente ela surge amarela e esquenta a vida. Ela mora numa gaveta cheia de bobeirinhas lá em casa, que tem nariz de palhaço de festa louca, cartinha de amor antiga, fotos da minha bochecha quando eu tinha cinco anos e lembranças de carinho em flores secas. Ela toma banho comigo quando a água leva embora coisa ruim e renova a alma e dorme ao meu lado quando eu descanso depois do almoço de domingo com o meu pai que eu não vejo a semana toda. Ela é virtual na comunidade que criaram para mim no Orkut, chama-se Tati Bernardi, e ela é fantasma quando eu lembro do meu avô dizendo que eu era a mulher mais linda do mundo. A mulher mais linda do mundo pequeno do meu avô. A felicidade mora num mundo pequeno seu e não naquele grande que faz você se perder demais. A felicidade é simples, e quando você descobre isso ela deixa de ser uma espera e passa a ser um minuto, um segundo. E é de minutos e segundos que se faz a vida. E aí você perde menos tempo esperando e mais tempo vivendo. Entre o piegas e o chavão, é assim que ando por aí vivendo a vida intensamente sem esperar momentos intensos. Você já tentou? Já tentou não imaginar a sua felicidade na outra festa que você estaria se não estivesse nessa e encontrar a sua felicidade onde você está? Tente, pode ser numa música boba, pode ser num amigo que você não via há muito tempo. Pode ser morrendo de rir de uma noite mico, por que não? Eu sempre esperei viver uma história de cinema, ouvir cantadas de filme francês, ganhar salário de estrela, ter amigos de sitcom, corpo de capa de revista e enterro de celebridade. Ai eu lembrei que os filmes de que eu mais gosto são aqueles despretenciosos que contam a história de uma pessoa idiota como eu.

Tatiane Bernardi, 26 anos, é paulistana, redatora publicitária e escritora.

Beijos,Sayô

Escrito por Sayô & Shara às 11h01
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05/10/2005


"Nalgum lugar em que eu nunca estive antes, alegremente além
de qualquer experiência, teus olhos têm o seu silêncio:
no teu gesto mais frágil há coisas que me encerram,
ou que eu não ouso tocar porque estão demasiado perto,
teu mais ligeiro olhar facilmente me descerra
embora eu tenha me fechado como dedos, nalgum lugar.
Me abres sempre pétala por pétala como a primavera abre
tocando sutilmente, misteriosamente a sua primeira rosa.
Ou se quiseres me ver fechado, eu e
minha vida nos fecharemos belamente, de repente
assim como o coração desta flor imagina
a neve cuidadosamente descendo em toda a parte;
nada que eu possa perceber neste universo iguala
o poder de tua intensa fragilidade: cuja textura
compele-me com a cor de seus continentes,
restituindo a morte e o sempre cada vez que respira.
Não sei dizer o que há em ti que fecha
e abre; só uma parte de mim compreende que a
luz dos teus olhos é mais profunda que todas as rosas.
Ninguém, nem mesmo a chuva, tem mãos tão pequenas."

ZECA BALEIRO

Tudo de bom mais alguma coisa o show desse cara...

beijos,Sayô

Escrito por Sayô & Shara às 16h13
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04/10/2005


"Não entendo. Isso é tão vasto que ultrapassa qualquer entender. Entender é sempre limitado. Mas não entender pode não ter fronteiras. Sinto que sou muito mais completa quando não entendo. Não entender, do modo como falo, é um dom. Não entender, mas não como um simples de espírito. O bom é ser inteligente e não entender. É uma benção estranha, como ter loucura sem ser doida. É um desinteresse manso, é uma doçura de burrice. Só que de vez em quando vem a inquietação: quero entender um pouco. Não demais: mas pelo menos entender que não entendo." CLARICE LISPECTOR

Beijos, Sayô

Escrito por Sayô & Shara às 08h39
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03/10/2005


 

Manual de não-intrução

Minha vida tem um buraco que não sei de que é feito. Era para tudo ser muito fácil, mas eu encasquetei de fazer tudo do jeito mais difícil. Meu problema sou só eu. Não me odeie por eu ser assim. Eu tenho a culpa de todas as culpas e, as que não tenho, tomo para mim. Eu tenho crises de segunda a noite porque me dá um vazio de não me achar. Eu tenho crises de quarta porque me achei e não gostei. Tem quem me ache sublime por tão alegre e tão melancólica assim. Eu me acho insuportável. Ok, e ao mesmo tempo a pessoa mais legal do mundo.

Eu não gosto que me escolham caminhos e fico puta porque há um tempo tenho deixado a vida escolher. Eu tenho tudo e às vezes me sinto completamente sem nada só porque a chuva cai e o sol não brilha. E se brilha, tem o maldito tom de amarelo a que eu chamo de pureza. Que eu já não sei se sei distinguir.

Eu tenho medo de crescer e ao mesmo tempo cresci rápido demais. Eu me afobo e paro. Mas quando paro, fico afobada, porque acho que o tempo passou e eu não fui junto.

Porque você gosta de mim? Você me perguntou e se perguntou isso em um recado de voz. Eu não sei responder. Você gosta de mim por tudo o que eu sou e por tudo o que eu não sou. E eu sofro, porque não sei ser não sendo. Não ser é ser sem escolher. E eu gosto de escolher, lembra?

De verdade? Não sei porque te falo tudo isso. Acho que quero te convencer de uma vez que eu sou louca para poder agir feito uma sem o medo de de repente você descobrir que eu sou louca e de repente não gostar mais de mim. Ou quero te convencer que não existe porque gostar de mim. Só porque sou louca.

Você me pediu para escrever um poema para você. Mas para escrever poema, tem um lado meu que precisa de férias dos dedos ávidos por palavras que façam sentido sem beleza. Porque, afinal, as vezes eu acredito em beleza, as vezes não.

Sabe porque eu não me encontro? Porque por definição eu sou contraditória e quem é contraditória não pode se definir. Se não me defino, não sei quem sou, não me encontro. Mas se deixo de ser contraditória, deixo de ser eu e, logo, também não me encontro.

Me explica, porque você encanou de me encontrar?

Myla Verzola é redatora, escritora

Escrito por Sayô & Shara às 09h55
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01/10/2005


 

 

Eu não sei voar

Ela pisou sem dó no meu meio sorriso, fazendo ele virar um pavor inteiro e verdadeiro.
Eu canso dos meus meio sorrisos tanto, tanto, que prefiro que a vida seja assim mesmo. E aí me pergunto se chorei de tristeza profunda ou alegria libertadora, o que acaba dando no mesmo porque minha profundidade me liberta.
A barata preta, enorme e voadora posou no canto da minha boca. E eu pude chorar todos os meus medos no seu sofá e eu pude ficar curvada do jeito que a minha sombra, que só eu vejo, é. E eu pude borrar todos os meus disfarces e ficar feia sem culpa, porque a dor consegue ser sempre maior do que qualquer culpa, por isso o meu vício em sofrer.
Eu chorei a nossa imperfeição, eu chorei a saudade enganada da nossa perfeição, eu chorei a nossa necessidade de não se largar, eu chorei a nossa necessidade de se largar, a nossa necessidade de fugir do mundo em nós e a nossa necessidade de fugir de nós encontrando amigos.
Eu chorei o nosso ego que sempre tem respostas para tudo e não pode perder, chorei o nosso silêncio cansado de perguntas e desprovido de interesses, a pobreza do mundo que nos impossibilita de sermos felizes sem culpa, a falta de simplicidade que eu tenho para ser feliz e eu chorei o espaço da nossa alma que ainda falta evoluir.
Eu chorei o nosso medo de não sermos o que sonhamos. Eu chorei o medo que eu tenho de não ser quem você quer e o medo que eu tenho de ser exatamente o que você quer.
Eu chorei porque precisava de colo, porque precisava te mostrar a minha fragilidade escondida no meu mau-humor. Eu chorei de birra do meu lado homem.
Eu chorei porque vez ou outra ele ainda bate na minha porta e eu o deixo entrar, e eu sei que isso é medo do tanto que você habita todos os lugares.
Eu chorei porque eu te amo mas eu não sei amar. Eu chorei porque eu sempre canso de tudo e tudo sempre cansa de mim. Chorei de cansaço profundo de sempre cansar de tudo e tudo sempre cansar de mim. Chorei de apego ao cheiro do novo e principalmente de melancolia pelo cheiro do velho. E chorei porque tudo envelhece com novos cheiros e a vida nunca volta. Eu chorei de pavor da rotina, de pavor do fim, de pavor de sair da rotina e começar outros fins.
Eu chorei meu medo de submissão, o meu medo de vomitar, o meu medo de me mostrar pra você tanto, tanto, e não ter mais o que mostrar. Eu chorei minha infinidade de coisas e o medo de você não querer abrir os mais de um milhão de baús que existem escondidos na caixa cerrada que eu guardo embaixo do meu peito. Eu chorei meu fim e o medo do meu infinito.
E eu teria chorado cinco anos se você não me dissesse que já era hora de parar. E eu chorei depois cinco anos escondida, porque eu não sei a hora de parar e não quero que ninguém me diga.
Aliás, eu quero sim. Eu quero que você me diga quando for a hora de parar, de continuar e de não pensar em nada disso.
Eu quero que você me acorde com uma lista de horas e outras lista de anos e outra lista de encarnações. Eu quero que você me dê a mão e me ensine o que é um relacionamento porque eu só sei andar de quatro, cheirando xixis nas ruas e rabos alheios.
Eu quero que você me ensine a ser uma mulher para você.
Ao mesmo tempo eu quero que vocë suma porque eu só quero ser uma mulher para mim. Eu me quero só para mim.
Era minha a dor de ser solitariamente para mim. E você a substituiu pela dor de não querer mais ser solitariamente só para mim. Mas tudo é dor afinal, e eu não sei ser leve, eu não sei voar, mas a barata que vôou para o canto da minha boca, sabe.
Eu carrego o esgoto no meu ventre negro, mas não sei voar como ela. Por isso ela ainda consegue ser melhor do que eu.
E com todos os meus poderes para estragar a vida de alguém, eu ainda tenho medo da barata.
Porque ela sabe ser misteriosa, ela sabe incomodar sem abrir a boca, ela sabe enojar o mundo com sua meleca branca sem ter que mostrá-la a ninguém.
Ela é muito mais misteriosa do que eu.
Em comum temos as chineladas do mundo e todos os seres amedrontados que querem acabar com a nossa raça. Mas o poder dela ainda é muito maior do que o meu, porque ela não ama, ela não se sente traída pelas chineladas do mundo.
Ela não sabe o que é não entender nada desse mundo e ter medo do tempo. Ela não sabe o que é ter nas mãos o poder de construir e destruir e ter tanto medo desse poder.
Ela vive no esgoto e não sabe o que é ter tanto medo dele.
Ela aparece sem ser desejada e não sabe o medo que não ser desejada causa.
Ela é uma barata e nunca vai saber o medo que a gente sente de se sentir uma.
E eu chorei tanto que finalmente transformei meu meio canto de boca num bico inteiro. E chorei porque tenho tanto medo de tudo o que é inteiro, que prefiro viver tudo na cabeça, enquanto o corpo relaxa na minha cama, longe de tudo.
Eu deito na minha cama e imagino tudo o que pode acontecer, enquanto não toco de verdade na vida para não cansar demais e depois não ter forças para viver de verdade. Mas acabo dormindo e deixo pra depois.
Mas eu chorei justamente porque descobri que viver na cabeça também é um tipo de coragem, porque eu não protejo a alma de feridas e nem de descanso.
Mas aí ela, preta, imunda, nojenta, indesejada, um pedaço do esgoto, vôa em minha direção e me coloca em movimento. E eu corro pra bem longe e não penso, só corro.
E isso é tão diferente para mim, estar em movimento de fora para dentro, que eu choro de emoção.
Eu não pensei, eu vivi. Eu corri dela, eu vivi o medo. Eu vivi o nojo. E eu chorei de dor de sair da minha bolha interna.
Ela me fez ter vontade de gritar para o mundo nojento para que ele deixe meu coração em paz. Meu coração que quer amar em paz e esquecer que a vida pode ser nojenta.
E eu corri de tudo o que é nojento, e eu chorei porque com tantas coisas lindas me acontecendo, eu precisei de uma barata para me lembrar de sentir a vida fora da minha bolha.
Ela perfurou minha proteção e saiu da minha rotina. Ela invadiu tudo e me lembrou que as coisas podem dar erradas sim, quando se menos espera, e não adianta nada estar com o chinelo preparado na mão para se defender da vida.
A vida voa na sua cara, esbarra no seu rosto, suja sua vaidade, corrompe suas certezas, e você não pode fazer nada. A não ser lavar o rosto e começar tudo de novo.

Tatiane Bernardi, 26 anos, é paulistana, redatora publicitária e escritora.

 

 

Beijos,Sayô

Escrito por Sayô & Shara às 09h10
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Artes (com) trastes e traquinagens

Nós, Sayonara e Shara, resolvemos criar um blog que fale mais da vida, das relações entre as pessoas,das questões que envolvem o nosso mundo,especialmente sobre a poesia,a música, a dança...
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