Artes (com) trastes e traquinagens


30/09/2005


 

MILÁGRIMAS
Zélia Duncan

"Em caso de dor, ponha gelo
Mude o corte do cabelo
Mude como modelo
Vá ao cinema, dê um sorriso
Ainda que amarelo
Esqueça seu cotovelo
Se amargo for já ter sido
Troque já este vestido
Troque o padrão do tecido
Saia do sério, deixe os critérios
Siga todos os sentidos
Faça fazer sentido
A cada milágrimas sai um milagre
Em caso de tristeza vire a mesa
Coma só a sobremesa
Coma somente a cereja
Jogue para cima, faça cena
Cante as rimas de um poema
Sofra apenas, viva apenas
Sendo só fissura, ou loucura
Quem sabe casando cura
Ninguém sabe o que procura
Faça uma novena, reze um terço
Caia fora do contexto, invente seu endereço
A cada milágrimas sai um milagre
Mas se apesar de banal
Chorar for inevitável
Sinta o gosto do sal
Sinta o gosto do sal
Gota a gota, uma a uma
Duas, três, dez, cem mil lágrimas, sinta o milagre
A cada milágrimas sai um milagre!"

 

E a vida continua...ainda bem,rs

Bom Findi!!!

Sayô

Escrito por Sayô & Shara às 08h26
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28/09/2005


 

 

A LISTA

 

"Faça uma lista de grandes amigos
Quem você mais via há dez anos atrás
Quantos você ainda vê todo dia
Quantos você já não encontra mais
Faça uma lista dos sonhos que tinha
Quantos você desistiu de sonhar
Quantos amores jurados pra sempre
Quantos você conseguiu preservar
Onde você ainda se reconhece
Na foto passada ou no espelho de agora
Hoje é do jeito que achou que seria?
Quantos amigos você jogou fora
Quantos mistérios que você sondava
Quantos você conseguiu entender
Quantos defeitos sanados com o tempo
Eram o melhor que havia em você
Quantas mentiras você condenava
Quantas você teve que cometer
Quantas canções que você não cantava
Hoje assobia pra sobreviver
Quantos segredos que você guardava
Hoje são bobos ninguém quer saber
Quantas pessoas que você amava
Hoje acredita que amam você"

 

Eh isso aí...tudo PASSA e/ou se TRANSFORMA.... beijos,Sayô

 

Escrito por Sayô & Shara às 11h46
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27/09/2005


 

 

 

Quando o dique estoura

-Ailin Aleixo-

 

Finais não precisam ser horríveis. É suficiente serem tristes.

Como termina um amor? Talvez não termine, somente mude para o terreno da amizade sem nos darmos conta. O carinho, o respeito, a vontade de dividir alegrias corriqueiras continuam a viver e nem sequer notamos que algo morreu. Não admitimos a possibilidade de o eterno não existir. Mas morreu algo quase imperceptível, que só notamos quando não está mais lá, entrelaçando as mãos.

Insultos e traições não são necessários para que o amor termine. Alguns, os mais rudes, clamam pela destruição total, precisam do insuportável para divisar aquilo que um dia foi claro e luminoso transformou-se num lodaçal onde ambos se afogam, puxados pelo peso do rancor, pela negativa em abandonar o navio, mesmo rodeados pelos destroços. Não é necessário exterminar tudo de belo para notar que as cores desbotaram e, apesar de ainda harmônicas, já não enchem os olhos de satisfação. A maior dor vem com a constatação de que só amor não basta - a tela que pintamos a quatro mãos pode continuar linda, mas foi, imperceptivelmente, sendo esvaziada de significados e se transformou em algo que observo, mas do qual, tristemente, não faço parte.

O espaço que o amor toma é muito grande; preenche tudo. No momento em que diminui (talvez não diminua, apenas sofra uma metamorfose: não acredito que o amor possa arrefecer, apenas se transforma em outra coisa, inominável) sentimos como se tivessem arrancado nosso fígado, nosso rim. Somos assolados pela convicção tão hesitante quanto lancinante de que não sobreviveremos à sensação de não termos mais porto, segurança, paz. A voz cálida ao telefone. Nos invade a certeza ainda mais cruel de que, depois dessa fissura, não poderemos levar isso adiante, não poderemos provocar mais dor nem infligi-la a nós mesmos. A certeza de que fomos lançados em alto-mar e já não nos cabe querer ou não - a realidade não precisa de nós.

Então vem o assombro, a sensação de trairmos o outro por já não conseguirmos ser parte de dois, pela estranha e urgente necessidade de sermos um, sozinhos, de nos vermos despejados da visão carinhosa e complacente. "Perdi algo que me era essencial, e que já não me é mais. Não me é necessária, assim como se tivesse perdido um terceiro apoio que até então me impossibilitava de andar mas que fazia de mim um tripé estável. Esse terceiro apoio eu perdi. E voltei a ser uma pessoa que nunca fui. Sei que só com duas pernas é que posso caminhar, mas a ausência do apoio me faz aflita e me assusta, era ele que fazia de mim uma coisa encontrável por mim mesma, sem querer precisar me procurar." (Clarice Lispector)

E será inútil esforçar-se para esquecer - tudo o que um dia se misturou carregará consigo partículas do outro. Talvez venha o arrependimento, o recomeço, as cores voltem a brilhar como antes - mas não se pode contar com isso. Não se pode contar com nada. O único caminho viável é viver e correr o sagrado risco do acaso. E substituir o destino pela probabilidade.

O único caminho é entregar-se à desorientação e ter fé, muita fé, de que ela nos leve a um lugar mais calmo, inabitado por nossa agonia e pelo medo de ficarmos sós.

 

Beijos,

Sayô

Escrito por Sayô & Shara às 16h29
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26/09/2005


 

 

 

TUDO MENTIRA...

SOH NOS RESTA AMAR

De Milly Lacombe.

José Dirceu, o chefe da quadrilha, tá lá: descalço, descontraído, cara lavada, na capa do jornal. Isso, hoje. Ontem, era o juiz que manipulava resultados dos jogos. Há três dias, outro comprovadamente safado, Severino Magoo Cavalcanti, desfilava sua cara-de-pau pela mídia e invadia o limite de nossa maltratada tolerância, que a cada dia, coitado, é mais espichado. Há uma semana, tudo girava em torno de Maluf, finalmente enquadrado, mas flagrado com damascos e champagne em sua supercela.
Isso tudo se nos concentrarmos apenas nas imagens. Para quem tem estômago, vale ler algumas linhas. Severino, mesmo diante de todas as evidências possíveis, diz que está sendo caluniado. Dirceu, repentinamente humilde e atencioso com a imprensa, que era só caixa 2, nada além disso. E, pela leve escorregada, declara que o partidão tem que pedir desculpas. Afinal, quem não faz caixa 2 que atire a primeira moeda. Tentativa infame e patética de se igualar ao cidadão, e ao crime, comum. Não menciona Celso Daniel, a compra do parlamento, Toninho do PT, suas idas regulares a Cuba, Waldomiro Diniz, Bingos, uso pessoal do patrimônio público ... Apenas o tropeção que, colocado em perspectiva diante de tanta escrotidão, parece, de fato, menor.
O juiz de futebol primeiro conta que manipulou resultados porque sua família estava sendo ameaçada. Bem, mas diante disso, até eu faria o Corinthians perder. Não era, claro, nada disso. Meia hora depois o safado confessa que foi por grana apenas. Dez mil. E você na frente da TV, se esgoelando por seu time sem saber que a partida estava decidida antes de começar. Sua válvula de escape semanal, o pequeno refúgio de suas paixões, rara zona que sobrevivia sem a presença do cinismo nosso de cada dia, jogada no esgoto. Suas ilusões - e Cazuza nunca foi tão atual - todas vendidas.
Você decide sair de casa, ir ao supermercado comprar cerveja, deixar gelar para, mais tarde, ver se consegue escapar de tanta realidade. Na prateleira, dezenas de opções. Olhando mais de perto, todas feitas por um mesmo CGC. Dois, talvez. Você acha que tem escolha, mas a observação mais atenta mostra que não é bem assim. O mesmo vale para pães, produtos de limpeza, enlatados ... aparentemente, você, o consumidor, pode escolher entre dezenas de produtos, ver o que melhor convém, tirar proveito da concorrência. Engano. Não há concorrência. Há meia dúzia de homens nos observando e manipulando. Estamos em 1984, enfim. Até a cadeia de supermecado em que você agora se encontra pertence a um mesmo felizardo. Muda o nome, a cor, a frequência, a fachada, mas não o destino da grana.
O que resta? Talvez o mais importante. Só nos resta, com o perdão do lugar-comum, amar. Só isso importa, só isso parece ser verdadeiro, só isso não foi contaminado pelo cinismo, pela fraqueza, pelo ego, pela vaidade, pela força suja da grana.
E, ainda assim, insistimos em não nos amar. Insistimos em sonegar sentimentos, em não dizer o que sentimos, em não nos entregar, em não fazer mais amor, em não passar mais tempo na cama. Uma perda de tempo viver assim. Porque o resto, todo ele, olhem em volta, é mentira.

 

 

 

Beijinhos,Sayô

Escrito por Sayô & Shara às 10h06
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24/09/2005


 

 

 

 

QUEM - FATIMA IRENE

Fátima Irene Pinto®


"Quem nesta vida já não se sentiu assim
Sem rumo, perdido, rendido
Às contingências do momento?
Quem já não experimentou estas fases
Onde tudo é desalento
E embora abrigado, cercado de gente,
Continuou absolutamente só
Qual se estivera ao relento?

Quem já não se perdeu do passado?
Quem já não ficou sem vislumbrar futuro,
Sem sentir um medo atávico
E ver-se assim totalmente inseguro?

Quem já não ficou sem saber o que fazer com o agora,
Levado pela correnteza da vida incerta,
No malogrado ajuste do ponteiro das horas?

Quem já não se perdeu de Deus, após tê-lo encontrado?
Quem já não se perdeu do filho, após tê-lo criado?
Quem já não secou por dentro, após ter muito amado?
Quem já não se perdeu no caminho que parecia adequado?

Quem já não experimentou um medo visceral da morte?
Quem já não tremeu diante de uma súbita virada da sorte?
Quem já não teve todos os planos e sonhos desfeitos?
Quem já não se viu lesado nos seus mais legítimos direitos?

Quem já não se viu órfão de toda a esperança?
Quem já não se viu, de repente, sem guiança
Sem rumo, sem bússola, sem farol, sem diretriz,
Quem já não se sentiu um dia, desesperadamente infeliz?

Quem já não se sentou à beira do caminho, extenuado
Vendo a vida passar, como filme apenas, projetado
Na ínfima condição de mero expectador isolado
E nada mais reivindicou neste momento,
Senão a suprema bênção de poder ficar calado? 

E poder então soltar o passado
Não temer mais o futuro
Abdicar de vez do agora
Voltar ao estado original
Após ter fechado um doloroso ciclo
Fazer-se pronto para mais uma volta

Da infinita espiral !"

 

Beijos,

Sayô

 

 


Escrito por Sayô & Shara às 11h07
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23/09/2005


 

Esperança

-Mário Quintana-


"Lá bem no alto do décimo segundo andar do Ano
Vive uma louca chamada Esperança
E ela pensa que quando todas as sirenas
Todas as buzinas
Todos os reco-recos tocarem
Atira-se
E
— ó delicioso vôo!
Ela será encontrada miraculosamente incólume na calçada,
Outra vez criança...
E em torno dela indagará o povo:
— Como é teu nome, meninazinha de olhos verdes?
E ela lhes dirá
(É preciso dizer-lhes tudo de novo!)
Ela lhes dirá bem devagarinho, para que não esqueçam:
— O meu nome é ES-PE-RAN-ÇA..."

 

Obrigada pelo carinho de todos q aqui estiveram no meu dia!!!

Bom Findi pra todos nós!!
Beijinhos

Sayô

Escrito por Sayô & Shara às 08h35
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21/09/2005


 

Pq hj é 21 de setembro

Pq hj é meu aniversário....

De 4 anos pra cá, depois q resgatei minha auto-estima, meu amor próprio,passei a AMAR essa DATA..passei a ter motivos pra comemora-la...passei a enxergar a vida com outros olhos,ou melhor passei  foi a enxergar a vida mesmo e a valorizá-la!

De 4 anos pra cá, conheci pessoas maravilhosas, fiz amizades lindas, e resgatei amizades antigas, e com as mesmas convivo e VIVO, sem necessariamente precisar vê-las, toca-las, senti-las diariamente...mas amo cada uma de uma forma especial e com vocês quero dividir minha felicidade....

Presenteio vcs com um trechinho extraido de um texto chamado

 

FLOQUINHOS DE CARINHO

"Nunca devemos fazer as coisas pensando em receber em troca, mas devemos fazer sempre.Lembrar que os outros existem é muito importante, mais importante do que cobrar dos outros que se lembrem de você, pois, o sentimento sincero nos é oferecido espontaneamente, e assim sabemos quem realmente nos ama. Aqueles que te quiserem bem se lembrarão de você. Receber sem cobrar é mais verdadeiro. Receber carinho é muito bom. E o simples gesto de lembrar que alguém existe é a forma mais simples de fazê-lo!

 

Estes são meus floquinhos de carinho pra todos vocês!

 

Beijo cheio de felicidade

Sayô

 

 

 

 

Escrito por Sayô & Shara às 11h03
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19/09/2005


 

 

Não faça o que eu mando

-Ailin Aleixo-

 

Tenha coragem de fazer o que quer.

Livre-arbítrio. Estou para conhecer algo que seja mais importante que isso. Alegria, tranqüilidade e felicidade são ótimas companheiras, mas se resumem a um amontoado de sensações fugazes se não forem permeadas pelo livre-arbítrio - nenhuma imposição externa dura muito, sequer ceder a elas surte algo de positivo. Por mais que tentem nos dissuadir da idéia, a verdade é que fazemos de nossas vidas o que queremos e não o que é "certo", porque "certo" não existe.

Muitas vezes, diante de uma decisão, me pego preocupada em não magoar ninguém, em ser justa. O que geralmente acontece quando você ouve "A última coisa que eu quero no mundo é te magoar"? Toma uma bem dada, provavelmente. É isso que ocorre quando violentamos nossa natureza e agimos baseados no padrão moral imposto pelos outros, quando tentamos ser corretos: a longo ou curto prazo, magoamos todo mundo. A preocupação em ser legal perante os olhos alheios nos faz cometer mais sacanagens do que a vontade assumida de agir como um grande f.d.p.: enquanto a segunda é explícita, a primeira vem fantasiada de boas intenções, de preocupação solidária. Mas nem o maior dos nossos esforços logra o que realmente se passa em nós; o inconsciente nos trai quando menos esperamos: numa frase áspera, numa olhada torta. E então todo o esforço em construir (e acreditar) uma imagem benévola vai para o ralo, e propagamos nosso desagrado em progressão geométrica - nada pior que pessoas mal comidas, falsos moralistas e covardes.

Seria tudo mais simples se parássemos de ser maniqueístas e assumíssemos nossa humanidade, tomássemos consciência de que quem cospe para cima sempre acaba catarrado na testa. Não confio em pessoas boazinhas ou más demais porque já vi beatas que, fora da igreja, julgam a vida do vizinho; políticos corruptos que dão dinheiro para caridade. O mundo não está dividido em humanos vis e angelicais, em vagabundas e garotas de família, em Judas e Jesus. Se hoje você ajuda uma velhinha a atravessar a rua, amanhã xinga seu vizinho de veado. Faz parte de nós, simples assim. O que fazer com isso é outra história...

Posso ser, para alguns (e para mim, vez por outra), moralmente indeterminada, ter uma conduta dúbia, pregar o amor e trair. Dane-se. Só eu sei como sou, pelo que passo, o que me move. Se algum ato meu magoar alguém? Pena. Antes isso do que me fazer de idiota fingindo ser bacana e me remoer de raiva enquanto sorrio. Se algum ato meu magoar alguém e eu ficar mal por isso? Então saberei como não devo agir da próxima vez. Só quem erra compreende o acerto.

"A vida é cair sete vezes e levantar oito." O ditado é chinês e, como tudo do Oriente, parece meio babaca à primeira vista (assim como comer arroz empapado, entoar mantras e honrar o mestre), mas não é. Foi assim que aprendi que preciso ser - antes de qualquer coisa - verdadeira comigo. Preciso bancar a minha felicidade mesmo que ela passe por territórios estranhos aos outros, mesmo que eles me vejam deturpada por todas as suas projeções, mesmo que eu ganhe rótulos desagradáveis, mesmo que eu sofra ou caia. Não importa, porque, por mais constrangedor e desagradável que isso seja, já aprendi a levantar.

 

Uma ótima semana pra todos nós !!!
Beijos,Sayô

Escrito por Sayô & Shara às 12h22
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18/09/2005


 

 


 

Surpreeeesa!

-Ailin Aleixo-

 

Por que odiamos tanto quando as coisas não acontecem como o esperado?

Não se explica por que você odeia beterraba ou não consegue ser simpático num primeiro encontro. Explica-se a relação entre o aumento do dólar e a crise da Argentina, mas não por que você ama alguém. Ou odeia, irrita-se, quer estar próximo. E aí você fica perdido. No exato momento em que se percebe inapto para racionalizar, o chão se abre. A boca seca.

Seus quatrocentos anos de estudo não servem para nada.

Sua mente embaça como espelho de banheiro.

Você fica nervoso...

E então nota que só aprendeu a lidar com o programado: pagar contas, ganhar dinheiro, jogar bola com os amigos, beber no mesmo bar com as mesmas pessoas no mesmo dia da semana - e encontra no conhecido sua zona de conforto. Na rotina, sua segurança.

"Mas tenho medo do que é novo e tenho medo de viver o que não entendo - quero sempre ter a garantia de pelo menos estar pensando que entendo, não sei me entregar à desorientação."

Você não se enquadra na descrição? Ah! Adora aventura e planeja viajar pro Camboja de bicicleta? Você planeja... Assim como planeja em qual cargo estará daqui a um ano, a cantada que passará na garçonete gostosa ou qual desculpa dará para não almoçar na casa da sua mãe? Sei. Mas, se por um acaso qualquer você fosse demitido, a garçonete passasse a mão na sua bunda e sua mãe não te convidasse para almoçar, o que aconteceria?

Você ficaria perdido. Desorientado. De repente, estaria jogado num território novo e perceberia que sabe lidar com injeção eletrônica, fibra óptica, computador e avião, mas ignora completamente o que se passa em você. Notaria que dedicou a vida a compreender e explicar o que acontece ao seu lado e ignorou solenemente aquilo que não se coloca numa tabela do Excel, que nenhum gráfico mostra.

Notaria que não prestou a mínima atenção em si porque estava ocupado demais verificando seu extrato. Agora você tem dinheiro na conta e paga terapeuta, massagista, professor de ioga... e continua vagamente triste.

Infelizmente muitos nunca se deparam com um momento de auto-análise forçada: trabalham, bebem, transam e vão ao cinema. São onipotentes deuses de seus pálidos microcosmos, mas morrem carregando a sensação de vazio, a vaga tristeza. Fazem um esforço danado para não se perderem numa paixão, não confiarem demais nos outros, não falarem muito, manterem o controle. E conseguem. Conseguem não viver - comem chocolate e não fecham os olhos para catalisar o sabor do creme se derretendo na língua. Casam-se e compartilham o cotidiano, não a vida. Lêem centenas de livros e não são tocados por nenhum. Passam pela vida. E só.

"Como se explica que o meu maior medo seja exatamente o de ir vivendo o que for sendo?"

Não se explica. Nem é preciso. Basta nos convencermos de que não precisamos inferir intelectualmente cada detalhe da vida - nunca entenderemos por que o olhar de sicrana nos mata ou o andar de beltrana nos dá tesão. E será que precisamos?

"Não se preocupe em entender. Viver ultrapassa todo entendimento." Clarice Lispector não teve uma vida lá muito feliz, por isso se pode aprender tanto com ela. Aprender a não repetir os mesmo erros. E, acima de tudo, aprender que cada um "terá que correr o sagrado risco do acaso. E substituir o destino pela probabilidade", porque o que torna a vida interessante é o fato de não a controlarmos. Não existe nada mais maravilhoso do que poder ser surpreendido.

                                 Bom Domingo! Beijinhos,Sayô

Escrito por Sayô & Shara às 11h13
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16/09/2005


 

AMAR

-Florbela Espanca-

 

Eu quero amar, amar perdidamente!
Amar só por amar: aqui... além...
Mais Este e Aquele, o Outro e toda a gente...
Amar! Amar! E não amar ninguém!

Recordar? Esquecer? Indiferente!...
Prender ou desprender? É mal? É bem?
Quem disser que se pode amar alguém
Durante a vida inteira é porque mente!

Há uma primavera em cada vida:
É preciso cantá-la assim florida,
Pois se Deus nos deu voz, foi pra cantar!

E se um dia hei-de ser pó, cinza e nada
Que seja a minha noite uma alvorada,
Que me saiba perder... pra me encontrar...

 

Bom Fim de Semana!
Beijos

Sayô

Escrito por Sayô & Shara às 09h38
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15/09/2005


 

Que se danem os nós....

Bom Dia e hj tem Paulinho Moska

CAMALEÃO ( Paulinho Moska )

Eu me transformei num camaleão
Pra você me ver e pensar que não
Pra me confundir com a própria confusão

Não quero saber se tenho razão
Só quero testar a sua percepção
Só quero fugir da igualização

Pra não ficar estacionado
Como um trem parado na mesma estação
Pois continuo a viagem
Eu busco a verdade do meu coração

As cores que escolhi para me vestir
São essas que conheces e outras que vão existir
Todas combinadas, misturadas entre si

Meu nome e meu sorriso, eu já me esqueci
O lugar embaixo de mim foi morar bem longe daqui
Quem dera meu próximo abraço fosse em volta de ti

Não acredito que haja um pote de ouro
No fim do arco-íris
Mas acho que merecemos uma nova chance
De sermos felizes

Beijos,Sayô

Escrito por Sayô & Shara às 09h03
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14/09/2005


Este texto vai para aqueles que amam com desapego, sem posse, e por isso é só aconchego, assim como a Sayô que às vésperas de mais um aniversário (21/09) se mostra densa e fluída o suficiente para amar a vida escorrendo e se encontrando com os outros.

 

Pra quem ainda vier a me amar

Roberto Freire        

Quero dizer que te amo só de amor. Sem idéias, palavras, pensamentos. Quero fazer que te amo só de amor. Com sentimentos, sentidos, emoções. Quero curtir que te amo só de amor. Olho no olho, cara a cara, corpo a corpo. Quero querer que te amo só de amor. São sombras as palavras no papel. Claro-escuros projetados pelo amor, dos delírios e dos mistérios do prazer. Apenas sombras as palavras no papel. Ser-não-ser refratados pelo amor no sexo e nos sonhos dos amantes. Fátuas sombras as palavras no papel. Meu amor te escrevo feito um poema de carne, sangue, nervos e sêmen. São versos que pulsam, gemem e fecundam. Meu poema se encanta feito o amor dos bichos livres às urgências dos cios e que jogam, brincam, cantam e dançam fazendo o amor como faço o poema.         Quero a vida as claras superfícies onde terminam e começam meus amores. Eu te sinto na pele, não no coração. Quero do amor as tenras superfícies onde a vida é lírica porque telúrica, onde sou épico porque ébrio e lúbrico. Quero genitais todas as nossas superfícies. Não há limites para o prazer, meu grande amor, mas virá sempre antes, não depois da excitação. Meu grande amor, o infinito é um recomeço. Não há limites para se viver um grande amor. Mas só te amo porque me dás o gozo e não gozo mais porque eu te amo. Não há limites para o fim de um grande amor. Nossa nudez, juntos, não se completa nunca, mesmo quando se tornam quentes e congestionadas, úmidas e latejantes todas as mucosas. A nudez a dois não acontece nunca, porque nos vestimos um com o corpo do outro, para inventar deuses na solidão do nós. Por isso a nudez, no amor, não satisfaz nunca. Porque eu te amo, tu não precisas de mim. Porque tu me amas, eu não preciso de ti. No amor, jamais nos deixamos de completar. Somos, um para o outro, deliciosamente desnecessários. O amor é tanto, não quanto. Amar é enquanto, portanto. Ponto.

Então, não é demais? Um beijo, Shara Jane.

 

Escrito por Sayô & Shara às 08h16
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13/09/2005


 

          

 

 

O carro voador

 Milly Lacombe

A viagem começou num TL azul calcinha que poderia sair do chão a qualquer momento e não terminou até hoje

 

 

  Ela dizia que seu carro podia voar. E nós acreditávamos. No banco de trás, pulando e gritando euforicamente, esperávamos pela decolagem – que, naturalmente, nunca aconteceu. Mas isso não importava.

            Nunca ter levantado vôo enquanto o automóvel de minha mãe ganhava velocidade pelas avenidas paulistanas não chegou a tirar a diversão da brincadeira. Fato é que meus irmãos e eu não duvidávamos da capacidade supersônica do carro, o único no mundo, garantia minha mãe, equipado com um mecanismo que, uma vez acionado, faria com que as rodas saíssem do chão. Ela mostrava o dispositivo, que ficava bem embaixo da direção, ao alcance da mão esquerda do motorista. A alavanca estava lá, podíamos ver. Minha mãe não mentia. Era mesmo pura falta de sorte que os sinais fechassem ou que um carro mais lento entrasse na nossa frente sempre que o TL azul calcinha ganhava aceleração. Mas a matriarca era incansável. Tendo uma oportunidade, ou alguns metros de pista a sua frente, dava o comando; ia tentar decolar. E nós começavamos a pular, bêbados da mais pura euforia – a infantil.

            Semana passada andei de carro com minha mãe novamente. Dessa vez, era eu ao volante. Dessa vez, o carro era meu e não dela. Dessa vez, mal nos falávamos. Olhei para o lado, vi a fisionomia envelhecida da genitora e lembrei do TL azul calcinha. Lembrei da algazarra sem fim que meus irmão e eu fazíamos no banco de trás. Lembrei da segurança imponente que minha mãe nos passava, controlando o carro com majestade, fazendo com que nós nos sentíssemos seguros e protegidos, a ponto de não termos medo de voar. Mas, dessa vez, a indefesa era ela. Dessa vez, quem precisava se sentir protegida era ela, não eu.

            O momento era inadequado

            Quase trinta anos se passaram, minhas irmãs casaram, meu irmão era médico, e para mim ela não olhava havia alguns invernos, desde que anunciei que era gay. Olhei para a frente e vi as pistas da 23 de maio, uma das avenidas mais movimentadas de São Paulo, vazias – tipo de fenômeno que só ocorre entre 3 e 5 da manhã na capital paulistana. Eram cinco da manhã. Pensei em dizer que ia tentar decolar. Mas não achei que ela fosse entender, ou lembrar, muito menos rir. Pensando bem, o momento era inadequado. Estávamos a caminho do Aeroporto de Congonhas e eu precisava colocar minha mãe no primeiro vôo para o Rio. Há poucas horas, minha avó tinha sido internada na UTI de um hospital carioca (a Nonna, a que nunca havia ficado doente). Os médicos não davam muita esperança.

            Tentei imaginar o que eu estaria sentindo se soubesse que estava indo me despedir dela, minha mãe, a pessoa que me colocou no mundo, que me deu colo, que ficou ao meu lado quando tive febre, que acordava junto comigo para cortar e colocar açúcar no mamão que eu gostava de comer no café-da-manhã, antes de ir para a aula. Senti um pouco da dor que ela devia estar sentindo naquele momento. Olhei mais uma vez para o lado e vi minha mãe, cabelos brancos, expressão sofrida. Tentei imaginar de onde ela tirava forças quando éramos pequenos para ser tão divertida, tão cúmplice.

            Naquela manhã, a caminho do aeroporto, no comando do carro e mais velha do que minha mãe era quando dizia que ia fazer o TL decolar, admirei profundamente a capacidade dela de ter sido tão criança mesmo sendo responsável por quatro outras vidas. Crescemos, mudamos, brigamos – envelhecemos. Olhei para a frente e vi as pistas da 23 de maio vazias. Olhei para o lado e vi minha mãe – indefesa, expressão funda, dor estocada, seriedade senil.

            Comecei a acelerar pelas faixas livres da avenida enorme.

            Vou tentar decolar, anunciei.

            Pela primeira vez em muitos anos, minha mãe olhou para mim. E sorriu.

 

Beijinhos,Sayô

Escrito por Sayô & Shara às 10h33
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12/09/2005


 

     UM TOQUE PRA VOCÊ

 

SABIA QUE TODOS NÓS TEMOS O PODER DE MELHORAR A VIDA DE ALGUÉM? E JÁ PENSOU QUE COM ISSO VOCÊ É CAPAZ DE TOCAR ALGUÉM DE UM JEITO QUE NINGUÉM NUNCA TOCOU?

 

" Sabe, muitas vezes me ocorre que não sei nada. Eu fico indignada quando “ressinto” emoções ruins no tempo e no espaço errados. Esse tipo de burrice afetiva tem que ser reparado. Você sabe do que estou falando? Aquela dor que chega e depois a gente se dá conta de que não condiz com a situação presente. Coisas mal resolvidas.

Eu escrevi este texto num domingo lindo de céu azul, sol quente, brisa refrescante, passarinhos e um som lounge rolando no fundo, biquíni, piscina e meu amor comigo. Foi um dia em que caí apaixonada! Quero entregar a você todo o sentimento que extraí da natureza pura, sem toque no teclado do computador, sem teto. Só com o som da minha voz.

Escrever um texto na memória é uma das vantagens de ser “tetra”. Algumas informações básicas do dia-a-dia – como números de telefone e agenda de compromissos – são armazenadas no único lugar a que tenho rápido acesso sem depender de alguém. Assim, deixo a minha vida melhor.

Sabia que todos nós temos o poder de melhorar a vida de alguém? Eu uso esse poder! E não sou do tipo boazinha. Mas acredito que cada ser humano que tem sua vida melhorada faz a minha vida melhor. E a sua também. A meu ver, aquelas pessoas que acham a própria existência uma porcaria disseminam inutilidade e insatisfação no ar que respiram. O pior é que esse ar vai ser respirado por outros. É falta de educação, de cuidado e de elegância. Não estou falando de dinheiro, saúde, beleza, trabalho... Estou falando de responsabilidade, determinação, felicidade. Quando escrevo, mexo com tudo isso ao mesmo tempo. Escrever é liberar sentimentos dos quais nem me dou conta. É uma salvação da vida emocional sufocada, a conquista da liberdade. A conversa também traz um pouco disso, principalmente se envolve elogios ao outro.

Hoje estou na velocidade do pensamento. Não quero nem parágrafos.

Outro dia uma moça foi baleada por um menino porque ela não queria ficar com ele. Resultado: voltou da festa com uma paraplegia. Depois de um mês internada, chegou em casa sem informação nenhuma sobre como lidar com a nova condição. A família não sabia nem se podia tocar nela. A menina de 20 anos não se mexia, usava uma sonda com saco de xixi pendurado, tinha infecção na bexiga, ferida na bunda e dor no ombro.

Eu, Alfredo e a Aninha fomos visitá-la. Era uma casa simples num bairro distante.

Com certeza você conhece alguém que conhece alguém que conhece alguém que precisa de um esclarecimento, de um gesto.

Conversei com ela, a Aninha conversou com a família, e o Alfredo a deixou em pé pela primeira vez desde o “acidente”. Ensinamos à família formas de movimentá-la, de tocá-la.

E, por falar em toque, está aí uma coisa que me inquieta e aflige. Sabe quando dá aquela vontade louca de apertar, acariciar, sentir e exteriorizar com o toque, uma onda de amor que vem estourando, que ultrapassa o limite físico do corpo? Não poder fazer isso me deixa enlouquecida. Parece que eu “ressinto” emoções ruins que achava superadas.

Tudo bem que eu posso pedir ajuda para o toque, mas isso tiraria a força que o ímpeto do gesto traz. Um dia perguntei para o Alfredo se ele não fica injuriado por eu não poder tocá-lo. Sabe o que ele me respondeu? “Você me toca em lugares que ninguém nunca tocou.”

Bom... Depois dessa, a única coisa que ainda tenho a dizer até para mim mesma é: “Se toca,  gatinha!”.

 

"Quem acha a própria existência uma porcaria dissemina inutilidade e insatisfação no ar que respira"

 

*Mara Gabrilli, 36 anos, é publicitária e psicóloga. Dirige a ONG Projeto Próximo Passo (PPP), ligada à qualidade de vida do deficiente físico

– ela é tetraplégica e foi TRIP Girl na TRIP #8

Boa Semana!

beijos

Sayô

Escrito por Sayô & Shara às 11h58
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11/09/2005


 

 



"Ando devagar porque já tive pressa
E levo esse sorriso, porque já chorei demais

Hoje me sinto mais forte, mais feliz quem sabe
Eu só levo a certeza de que muito pouco eu sei, eu nada sei

Conhecer as manhãs e as manhãs
O sabor das massas e das maçãs
É preciso amor pra poder pulsar,
É preciso paz pra poder sorrir,
É preciso a chuva para florir

Penso que cumprir a vida seja simplesmente
Compreender a marcha e ir tocando em frente
Como um velho boiadeiro levando a boiada
Eu vou tocando os dias pela longa estrada eu vou
De estrada eu sou

Todo mundo ama um dia todo mundo chora,
Um dia a gente chora, no outro vai embora
Cada um de nós compõe a sua história, e cada ser em si, carrega
o dom de ser capaz,
E ser feliz! "

Bom Domingo!

Beijos,Sayô

Escrito por Sayô & Shara às 11h15
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10/09/2005


 

O MELHOR DE CADA DIA

  Você já fez um fechamento reflexivo do seu dia, resgatando o que aconteceu de melhor nas últimas 24 horas? Exercitei isso diariamente desde a última coluna e percebi aspectos interessantes sobre a minha vida. Algumas vezes não consegui eleger nenhum acontecimento como o melhor do dia. Talvez porque tudo fosse bom ou porque tudo fosse igual ao dia anterior... Quem sabe eu tenha esquecido de sentir, já que vivo com pressa.
 Refletir sobre os bons momentos foi como me dar o presente da felicidade ou do prazer que vem da memória! Porque resgatar o gostoso é reviver o gostoso. Agora, divido meus melhores momentos do último mês com vocês...
- O ponto alto aconteceu num dia em que acordei muito triste. Ao checar minha caixa postal, descobri que tinha uma mensagem do meu namorado dizendo que não queria romper o relacionamento, pois me amava muito e que, quando ficava distante de mim, sofria de saudades, ficava louco e destrutivo.
- Outro momento bom: depois de muitos dias de frio, saí num jardim e senti o calor do sol aquecer minha pele sob muitas blusas de lã. Tentei durante dias falar com uma pessoa para resolver uma pendência de trabalho e, nesse dia, resolvi.
- Falei com uma pessoa querida, a Dani foi me visitar, o Gil também.
- Tinha que preparar um material trabalhoso, mas, quando cheguei ao Projeto Próximo Passo, organização em que trabalho, meus colegas já haviam aprontado tudo.
- Andei com o Parastep (eletroestimulador para pessoas paralisadas caminharem) e nem fiquei ofegante como nos outros dias, foi fácil.
- Sentei no colo do Alfredo e demos um longo e delicioso beijo de língua.
- Achei um filme na TV que foi bom assistir. Era de sacanagem.
- Passei meu óleo novo de aura-soma.
- Se demoro para pensar o que foi bom, encontro poucas lembranças.
- O melhor de um dia pode ser o que foi ruim no outro ou vice-versa. Como a alegria de conhecer alguém que, depois, vai nos fazer sofrer.
- Um dia descobri que o melhor do dia pode até ter sido o mais triste. Alaguei-me numa compulsividade de lágrimas. Quanto mais eu chorava, mais eu chorava. Fui ficando cada vez mais aberta à mágica transformadora do choro. Tudo o que saía da minha boca naquele momento vinha do fundo, dos lados, do raso e de enxurrada! Foi uma catarse, um orgasmo sentimental, uma licença da natureza, que fez da dor da alma o melhor daquele dia!
- Às vezes acontece com dor física. O melhor do dia pode ser o fim de um desconforto, ainda que, para acabar com ele, a gente sinta dor. Como a depilação e o alívio de me ver sem pêlos.
- O melhor é o que fica, ainda que deixe marcas.  Mas isso depende de como lemos a vida.
- O mais incrível é que, muitas vezes, o melhor pode ter sido um despretensioso cafezinho, apagado da memória no último gole.
- Num dia em que me aventurei a indagar aos outros sobre o melhor daquele dia, alcancei vários flashes de delícias da vida alheia, proporcionados pela "ouvirtude". Exemplos? Soube que os familiares estão bem de saúde. Falei com alguém. Falei com Deus. Entrei no banho. Grudei meu corpo no dela. Fui penetrada por ele. Ouvi aquela música. Levantei da cadeira. Comi torta de frutas vermelhas. Comprei um sapato novo. Ganhei no jogo de tranca. Fiz pipoca. Senti o perfume. Tomei consciência e consegui mudar de atitude. Dormi...
 Bom, chega dessa história de melhor do dia, pois pode ficar enjoativo. Daqui a pouco, você esquece de viver seu dia-a-dia, e o melhor do dia termina ficando para o próximo dia, transformando a vida num rotineiro "adia-adia``.

Muitas vezes, o melhor pode ter sido um despretensioso cafezinho, apagado da memória no último gole.

 

*Mara Gabrilli, 36 anos, é publicitária e psicóloga. Dirige a ONG Projeto Próximo Passo (PPP), ligada à qualidade de vida do deficiente físico
- ela é tetraplégica e foi TRIP Girl na TRIP #82

Bom Findi !!!

Beijinhos

Sayô

Escrito por Sayô & Shara às 08h29
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09/09/2005


                                     

                                              

                                                  

                

                                     Bom dia!

Há dias passo, aqui, correndo para ler os inúmeros textos que Sayô nos brinda com sua sensibilidade e alegria. Além disso, o que mais me encanta é sentir o quanto ela tem receptividade entre nossos amigos e leitores. Escolhendo e lendo dois desses textos, percebi que discorrem sobre dois sentimentos que nos perseguem: a falha humana e a agonia ou ansiedade do mundo atual. Diante da nossa sociedade desejosa de conquistas e de metas, a falha normalmente nos é apresentada como característica negativa do homem e a agonia, por sua vez, como sendo o nosso desejo de conseguir as coisas, as pessoas a qualquer custo. Eu penso diferente, pois para mim, a falha é a possibilidade infinita que temos de criar e de re-inventar o mundo. Através, entre, no meio, do lado, atrás da falha há um infinito de situações que não fizemos ainda e que se abre todas as vezes que nos dizem que falhamos em nossas vidas. A falha é o inusitado que acontece no meio das coisas esperadas, medidas e controladas por nós. A falha é a diferença que chega para nos mostrar que é possível fazer de outra forma a vida. Quem tiver olhos para ver que veja.  Como diz a nossa querida amiga Julliana, Acredito que pessoas são como cidades e lugares os quais nunca são ou serão unanimidades.Pessoas são tudo de bom quando elas mostram o que realmente são. Isso é o que faz a diferença entre elas. Pois, às vezes, as coisas mais belas estão exatamente em nossas falhas. (..) A nossa insensatez é, muitas vezes, tudo de bom!

E o que pensar da agonia/ansiedade? Esta é uma avalanche que invade nossos corpos, nos queima por dentro e nos faz atropelar os acontecimentos. Vivemos tão rápido, olhamos as imagens excessivas que nos rodeiam sem perplexidade, sem nos darmos conta delas. Queremos tudo que não damos tempo para as coisas acontecerem o suficiente, para que fechem o seu ciclo e, nesse sentido, termos tempo para sentirmos o que de fato querem nos ensinar. Os antigos já diziam: Tudo tem seu tempo, tenha paciência. Ou como nos mostra Saramago no documentário Janela da Alma: Temos tudo e não temos nada. Que bom seria, se nos permitíssemos num pedaço do dia, fecharmos os olhos, sem pressa, e nos deleitarmos com o deserto de nós mesmos. Ou como nos ensina Dandinha: (...) parece que tem alguma coisa passando correndo pela gente e a gente não vê, é a tal da Agonia (...), mas agora não, agora vou deitar na minha cama e assistir o filme de Barbie com a Isadora.  

E foi assim, sem pressa, que li o comentário do Joca. Uma alegria inundou minha alma. Lágrimas regaram meus olhos e eu fiquei a pensar em como meu corpo é, ao mesmo tempo, outro e o mesmo, pois mesmo com a idade que tenho, me vi criança de novo. Joca diz: Querida Shara e Sayô: Da minha incursão ao "Camarão do Elias" resultou uma bela refeição, e o descobrir toda a sensibilidade e usufruir da simpatia do Elias, papai das duas. Mas não apenas isto. Descobrimos que ele já morou na casa que eu aluguei da sua tia Elza. Enfim, que apesar de tudo, este mundo é pequeno. (...) Eu saio de manhã na rua Conde D'Eu e vejo, muitas vezes, a Shara ainda menina, andando de bicicleta. Quem sabe se a bicicleta não saia do portão da minha casa dela. Parece que era!

Fecho os olhos ternamente, uma emoção intensa percorre meu corpo, fecho as palmas da mão sobre o corpo, agradeço e digo amém a vida!

 

Um beijo grande, Shara Jane.

 

Escrito por Sayô & Shara às 08h34
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08/09/2005


 

Somos todos hamsters

Ailin Aleixo

Ele troca de carro duas vezes por ano. Todo o semestre, último modelo. Dois meses depois de adquirido, quando o cheiro de novo evapora, o possante perde o encanto que, instantaneamente, é transferido para o catálogo dos próximos lançamentos. O problema da sua mania não é o fato de comprar o que existe de mais moderno, mas fazer isso para suprir a falta de caminho. Ele pode ter o carro que quiser, mas nenhum deles o fará ter um lugar para ir.

"Ele" é como a maioria de nós, criadores e moradores de um mundo dominado pelos catálogos, vitrines. São celulares, ipods, roupas, sapatos, computadores, relógios, mulheres lipoaspiradas e botocadas, tudo constantemente se modernizando, sendo embelezado, ficando menor (em alguns casos), mais rápido, mais potente. Milhares de coisas reluzentes, bonitas, tentadoras, supérfluas. Coisas com a função mais ingrata da terra: preencher nossa solidão.

Os anúncios afirmam que o produto ali estampado traz mordomias, bem-estar, forno auto limpante, pára-brisa com detector de chuva, mais conforto, mais status e, conseqüentemente, aumenta nosso acesso a algo imensurável: felicidade. Mas as toneladas de anti-depressivos engolidas por todo mundo no mundo todo prova inexoravelmente o contrário: viramos hamsters, sempre em ação, ansiosos por dar mais uma volta na roda, cada vez mais rápido, sem sair do lugar, nos cansando a troco de nada. Trabalhamos feito camelos no deserto, sempre ocupados e preocupados com o que pensam de nós, a promoção, o chefe sacana, a conta vencida, o idiota que quer nosso cargo. Para que exatamente? Morrer de câncer? Ganhar uma úlcera? Somar alguns milhares de reais e uma hérnia de disco? Para termos sucesso e sermos reconhecidos na rua? Para causarmos inveja?

Fama. Essa a palavra que ganhou um tom quase deificado. Mas, por mais que me esforce, não entendo a correlação que corrobora a tese de que alguém famoso vale mais do que o atendente da padaria (veja só o que nos tornamos: valoramos uns aos outros como um saco de batata frita na prateleira)? Se fama é passagem só de ida para a felicidade, porque raios o Kurt Cobain, a Marilyn Monroe, Elvis Presley e tantos outros deram cabo a tal alegria imensurável? Porque, no final das contas, no final do dia, fãs histéricas gritando na porta do hotel, foto em capa de revista e aparecer na novela das oito não dá colo, não faz cafuné, não entende suas tristezas, não diz palavras que aquietam a mente. Em alguns momentos, não serve pra nada.

Às vezes acho que o mundo seria um lugar bem mais aprazível se as pessoas coçassem mais o saco, tivessem tempo livre o suficiente para chegar a conclusão de que a única coisa que realmente importa é ausência de agonia, essa companheira tão presente ultimamente e que insiste em não ir embora.

 

Um Bom Dia ,beijos

Sayô

Escrito por Sayô & Shara às 08h52
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06/09/2005


 

               Abrindo mão do controle
Uma das maiores fontes de ansiedade para o ser humano é o desejo de controlar a realidade. Geralmente tendemos a querer que as coisas se
manifestem exatamente da maneira que desejamos ou consideramos ideal.
Ocorre que, muitas vezes, aquilo que desejamos não é o melhor para nós, ou não oferece oportunidades de crescimento e evolução espiritual. Mesmo assim,
tentamos forçar os acontecimentos ou entramos num estado de ansiedade e medo, temendo que eles não se concretizem. Esta postura interior só faz
retardar a manifestação de nossos desejos.
O controle, aliás, é um dos aspectos do medo, pois queremos manipular as variáveis de uma situação por recearmos que ela não se desenvolva da maneira
que gostaríamos.
Este comportamento, geralmente, se deve ao fato de que somos ensinados,desde pequenos, a “fazer as coisas acontecerem”. O mundo nos cobra uma ação
permanente, afirmando que somente os que correm atrás é que conseguem sair vencedores. Este ensinamento carrega em si a ilusão da onipotência, pois
considera que a vida é tecida somente por nossos desejos.
É importante, sim, lutarmos para alcançar nossos objetivos e nossa força de vontade tem um papel importante em nossas conquistas. Mas não podemos nos
esquecer de que, no Universo, tudo tem um tempo certo para desabrochar,amadurecer, frutificar. Portanto, a ansiedade e a pressa podem, muitas
vezes, gerar um efeito inverso, fazendo com que afastemos com a negatividade de nossa mente, o alcance de nossos objetivos.
Muitas vezes, quando as coisas se recusam a acontecer da maneira que esperamos, o melhor é seguirmos uma outra direção, abandonando
temporariamente aquela meta. Geralmente, esta atitude acaba levando-nos exatamente a alcançar o que queríamos, mas por atalhos diferentes, que nossa
mente, direcionada pelo ego, não conseguiu perceber.
É preciso confiar na vida e deixar que ela aponte soluções para as situações aparentemente sem saída. Quando nos apegamos obsessivamente a coisas,
pessoas ou situações, eliminamos qualquer possibilidade de que o novo, o inesperado e muitas vezes, o melhor, se manifeste.
O Universo sabe exatamente do que necessitamos, portanto, devemos dar a ele a chance de nos prover. Para isto, temos que abandonar a tendência ao
imediatismo e desenvolver a confiança e a capacidade de entrega à magia da vida. É preciso lutar, a cada dia, pela certeza de que alcançaremos tudo
aquilo de que precisamos uma vez que alimentemos em nós a fé e a confiança. 
“Numa situação confusa, de perturbação, o que fazer?
Por favor, não faça nada. Você criou uma confusão por causa do seu fazer excessivo. Você é um tamanho fazedor, você confundiu tudo à sua volta - não
somente para si mesmo, mas para os outros também. Seja um não-fazedor; isso será compaixão para consigo mesmo. Seja compassivo. Não faça nada, porque
com a mente falsa, com uma mente confusa, todas as coisas se tornam mais confusas. Com uma mente confusa, é melhor esperar e não fazer nada de forma
que a confusão desapareça. Ela desaparecerá; nada é permanente neste mundo.
Você só precisa uma profunda paciência. Não seja apressado.Vou lhe contar uma história. Buda estava viajando através de uma floresta. O
dia estava quente. Era exatamente meio-dia e ele sentiu sede; assim, disse para seu discípulo Ananda: "Volte. No caminho, nós atravessamos um pequeno
riacho. Volte lá e traga um pouco d’água para mim".
Ananda voltou, mas o riacho era muito pequeno e algumas carroças estavam atravessando-o. A água estava agitada e tinha ficado suja. Toda a sujeira
que estava assentada nele tinha vindo para cima e a água não era potável agora. Assim, Ananda pensou: "Eu tenho que voltar". Ele voltou e disse para
Buda: "Aquela água se tornou absolutamente suja e não está boa para se beber. Permita-me ir à frente. Eu sei que existe um rio a apenas alguns
quilômetros de distância daqui. Eu irei e buscarei água para você".
Buda disse: "Não! Volte ao mesmo riacho". Como Buda tinha dito isto, Ananda tinha que seguir a ordem. Mas ele a seguiu sem entusiasmo, pois sabia que
aquela água não podia ser trazida. E tempo estava sendo desnecessariamente perdido! E ele estava com sede, mas como Buda disse para ir, ele tinha que
ir.
Novamente ele retornou e disse: "Por que você insiste? A água não está potável".
Buda disse: "Vá novamente". E como Buda havia dito para voltar, Ananda teve que ir.
A terceira vez que ele chegou no riacho, a água estava tão clara quanto ela sempre esteve. A sujeira tinha ido embora, as folhas mortas tinham ido
embora e a água estava pura novamente. Então Ananda riu. Ele trouxe a água e veio dançando. Ele caiu aos pés de Buda e disse: "Seus meios de ensinar são
miraculosos. Você me ensinou uma grande lição - que apenas a paciência é necessária e que nada é permanente".
E este é o ensinamento básico de Buda: nada é permanente, tudo é transitório - assim por que ser tão preocupado? Volte ao mesmo riacho. Então, tudo deve
ter mudado. Nada permanece o mesmo. Apenas seja paciente: vá novamente e novamente e novamente. Apenas alguns momentos e as folhas terão ido embora e
a sujeira terá se assentado novamente e a água estará pura novamente.
Ananda também perguntou a Buda, quando ele estava voltando pela segunda vez:"Você insiste que eu vá, mas eu não posso fazer alguma coisa para tornar
aquela água pura?".
Buda disse: "Por favor, não faça nada; do contrário você a tornará mais impura. E não entre no riacho. Apenas fique do lado de fora, esperando, na
margem. Sua entrada no riacho criará uma confusão. O riacho flui por si mesmo, assim deixe-o fluir".
Nada é permanente; a vida é um fluxo. Heráclito disse que você não pode pisar duas vezes no mesmo rio. É impossível pisar duas vezes no mesmo rio
porque o rio fluiu; tudo mudou. E não somente o rio fluiu, você também fluiu. Você também é diferente; você também é um rio fluindo.
Veja esta impermanência de todas as coisas. Não tenha pressa; não tente fazer nada. Apenas espere! Espere em um total não-fazer. E se você pode
esperar, a transformação estará presente. Este próprio esperar é a transformação”
Marcelino Rodriguez, escritor 
Beijokas,Sayô

Escrito por Sayô & Shara às 09h22
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03/09/2005


 

SÓ A VONTADE MOVE por Mara Gabrilli

FREQÜENTEMENTE SOU ENVOLVIDA PELA NECESSIDADE DE ENXERGAR O MUNDO POR UM ÂNGULO QUE DESOBEDEÇA A LÓGICA DA SUPERFICIALIDADE. NESSE MOMENTO PARECE QUE, SE CHACOALHAR A CABEÇA, AS IDÉIAS SE ENCAIXARÃO. MAS ESSA TÉCNICA É TIPO DAR PORRADA NA TV QUANDO EXISTE

Acabo de ser fisgada por um ímpeto de vontade...  Considero isso a manifestação súbita da felicidade. Ter vontade de fazer alguma coisa é o combustível das ações de construção. Não me refiro àquela vontade de comer chocolates, mas a algo que lance uma idéia no universo. Nem precisa ser espetacular, pois a espontaneidade do ato já é o espetáculo da vida em si. Muitas vezes tenho anseio físico de executar algum movimento. Esse tipo de desejo demanda em mim um trabalho criativo e preciso de elaboração. Quem, como, quando, onde, com o quê...

Freqüentemente sou envolvida pela necessidade de enxergar o mundo por um outro ângulo que desobedeça a lógica da superficialidade. Você já sentiu essa necessidade em meio a uma discussão que não faz sentido? Acontece muito quando me desligo dos valores eternos e me interesso só pelas notícias e problemas do momento. Saio de uma reunião e vou pra outra, cruzo São Paulo no trânsito para fazer exercício em algum lugar sem parar de falar ao telefone. Se acaba a bateria do celular, quase enlouqueço. Troco de roupa no carro, faço xixi no carro, às vezes até como no carro. Durmo de madrugada e acordo cedo falando ao telefone, até que começo a não discernir prioridades e esqueço o porquê de tudo isso. Nesse momento parece que, se chacoalhar a cabeça, as idéias se encaixarão. Mas essa técnica é muito rudimentar, é tipo dar porrada na televisão quando existe desajuste vertical da imagem.


Que tal plantar uma bananeira?  Ficar de cabeça pra baixo pode desencadear uma virada real do olhar cotidiano para um olhar contemplativo e poético. Sempre curti acrobacias corporais e, mesmo tendo perdido os movimentos do pescoço pra baixo, continuei sentindo essas precipitações. Esforçar-me para concretizar uma posição é uma mudança radical e irreversível no meu estado de espírito. Existe uma clara ligação entre movimento e hormônios que desencadeiam bem-estar. No meu caso então, visualizar minha figura plantando bananeira, de cócoras ou simplesmente em pé contribui para alargar meu parâmetro de possibilidades. Pode demorar até meses para que eu consiga fazer uma posição desejada.


Mesmo procurando praticar o não-julgamento de valores, entendo que enfrentar algo que é uma aventura inteiramente nova faz surgir o perigo do entusiasmo excessivo, o que nos leva a negligenciar detalhes técnicos. Ao seguir o rumo do desejo, do entusiasmo, da emoção, procuro conservar a mente sob controle para não deixá-la arrastar-me compulsivamente na direção do perigo: manias e vícios como doces, maconha, sexo, chats e álcool podem se instalar facilmente e, a meu ver, são tão prejudiciais quanto a falta de crença na vontade.


Conhecemos nosso caráter à medida que ousamos a sorte nessa floresta virgem que existe bem à porta de casa (para dentro ou para fora).

 

Beijos e Bom Domingo.....Sayonara

Escrito por Sayô & Shara às 20h54
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Artes (com) trastes e traquinagens

Nós, Sayonara e Shara, resolvemos criar um blog que fale mais da vida, das relações entre as pessoas,das questões que envolvem o nosso mundo,especialmente sobre a poesia,a música, a dança...
Queremos falar das coisas cotidianas, das nossas coisas, não para falar do mundo privado pelo mundo privado, como no Big Brother Brasil, mas para falar das coisas que façam as pessoas olharem para o mundo externo, aquele que nos provoca, nos faz pensar e nos mobiliza a olhar para nós mesmos.
A arte com singularidade nos possibilita isso, sair de si e entrar no universo de múltiplos e intensos contrastes dos outros. Assim, a proposta é que 'trastes' de todo tipo invadam o nosso blog e proliferem as traquinagens que fertilizam os nossos corpos alegres, dançantes, embriagados.
Artes (com) trastes e traquinagens espera ser um agradável cantinho,para os chegados, os estranhos,os nômades e os trastes de todo tipo ou ideais.

Sejam Bem Vindos!


Sayô & Shara



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:: Jorge Vecilo :: Fácil de Entender ::



"Poema é lugar onde a gente pode afirmar que o delírio é uma sensatez."
(Manoel de Barros)


"Pelos meus textos sou mudado mais do que pelo meu existir."
(Manoel de Barros)


"Sabedoria pode ser que seja ser mais estudado em gente do que em livros."
(Manoel de Barros)


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